
Pov de Wooyoung
O sol brilhava alto no céu quando eu e Yuna saímos de casa para explorar a cidade. Como San teria trabalho pela frente eu havia sugerido um dia de compras e passeio, e Yuna, sempre animada concordou prontamente. Caminhamos pelas ruas movimentadas, conversando e rindo enquanto explorávamos as lojas e os mercados locais.
Eu olhava para Yuna com um misto de carinho e curiosidade. Eu sentia uma ligação inexplicável com ela, algo profundo que eu não conseguia entender completamente. Enquanto passeávamos, eu a observava de soslaio, tentando decifrar meus próprios sentimentos.
— Wooyoung, você já teve aquela sensação de... — Yuna hesitou, procurando as palavras certas. — De estar ligado a alguém de uma forma que você não consegue explicar?
Parei por um momento, fingindo estar concentrado em uma vitrine de joias.
— Eu acho que já senti algo assim, Yuna. É... complicado.
Yuna franziu o cenho, claramente não satisfeita com a resposta vaga.
— Complicado como?
Suspirei, continuando a caminhar.
— É como se houvesse uma conexão, sabe? Algo além do que a gente pode ver ou tocar. Mas às vezes, essas coisas não fazem sentido logo de cara.
Yuna assentiu lentamente, ainda intrigada.
— Talvez você esteja certo. Só é difícil entender tudo isso.
Depois de algumas horas de compras e passeios, decidimos voltar para casa. O dia havia sido agradável, mas a pergunta de Yuna ainda pairava no ar, sem resposta.
Quando chegamos em casa, Yuna foi para o quarto guardar suas coisas.
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Pov de Yuna
Tudo era novo pra mim, me apavorava não me lembrar de nada, mas ao lado do Wooyoung me parecia tudo tão familiar, era como se nos conhecêssemos a muito tempo. Enquanto eu organizava as compras, uma dor aguda atingiu meu coração. Cai no chão, segurando o peito enquanto lembranças confusas inundavam minha mente. Fragmentos de memórias que não pareciam minhas, mas que pareciam estranhamente familiares, passaram diante de meus olhos.
A dor me deixou sem fôlego, me esforcei para entender o que estava acontecendo. Em meio à confusão, Solomon apareceu na porta do quarto, com uma expressão de preocupação.
— Yuna! O que aconteceu? — Perguntou ele, correndo para me ajudar.
Tentei falar, mas as palavras não saíam. Agarrei a mão de Solomon, buscando apoio.
Solomon me ajudou a me levantar e me conduziu até a cama.
— Respire fundo, Yuna. Vai ficar tudo bem. Concentre-se em mim.
Fechei os olhos, tentando seguir as instruções de Solomon. Lentamente, a dor começou a diminuir, e as lembranças confusas se dissiparam, deixando apenas um leve eco na minha cabeça.
— Eu... Eu não sei o que aconteceu. — Eu disse finalmente. — Era como se... Eu estivesse lembrando de coisas que nunca vivi.
Solomon olhou para mim com seriedade.
— Pode ser que você esteja começando a se lembrar de algo importante, algo que está ligado à sua essência. Às vezes, nossas memórias mais profundas podem se manifestar de formas estranhas.
Assenti, ainda tremendo.
— Eu só espero que isso não aconteça de novo.
Solomon apertou minha mão gentilmente.
— Se acontecer, você sabe que pode contar comigo e com Wooyoung. Nós estamos aqui para você, Yuna.
Sorri, sentindo-me um pouco mais tranquila.
— Obrigada, Solomon. Eu realmente aprecio isso.
Solomon me ajudou a me deitar, garantindo que eu estivesse confortável antes de sair do quarto. Fechei os olhos, tentando processar o que havia acontecido. Eu sabia que havia algo mais profundo acontecendo, algo que eu ainda não entendia completamente. Mas com o apoio de Solomon e Wooyoung, eu sentia que poderia enfrentar qualquer desafio que surgisse.
E assim, enquanto a noite caía sobre a cidade, eu adormeci com a esperança de que as respostas viriam em breve, e que eu entenderia finalmente a verdadeira natureza da ligação que sentia com Wooyoung.
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Pov de Chan
Eu estava sentado em silêncio no vestiário, ajustando os cadarços do meus tênis de corrida. O clima entre eu e Felix estava tenso, uma barreira invisível que nenhum de nós dois conseguíamos ou queríamos atravessar. Hyunjin, sempre leal a Felix, meu melhor amigo se encontrava preso no meio do conflito, tentando manter a paz entre nós dois.
— Pronto para a aula? — Perguntou Hyunjin, tentando me animar.
— Claro — Respondi sem muita convicção.
Do outro lado do vestiário, Han olhava desconfiado para Seungmin. Ele não conseguia se livrar da sensação de que algo estava errado, mas ainda não tinha provas concretas.
A aula de educação física começou com uma corrida leve ao redor do campo. Eu tentava me concentrar no ritmo da minha respiração, mas minha cabeça estava em outro lugar. Memórias confusas e sentimentos conflitantes me assombravam. Eu pensava em Ji-Yeon, minha ômega, e na distância que se formara entre nós.
De repente, uma dor aguda atravessou meu peito, fazendo-me parar no meio da corrida. Cai de joelhos, sem fôlego, enquanto imagens começavam a invadir minha cabeça. Memórias de Ji-Yeon, momentos de felicidade e tristeza, passavam como flashes, deixando-me tonto. Mas havia algo mais. Uma garota desconhecida, em um quarto, sofrendo. Eu podia sentir a dor dela como se fosse minha.
— Chan! — Gritou Hyunjin, correndo até mim.
Tentei de me levantar, mas a dor era esmagadora. Eu me vi preso entre o presente e essas visões confusas, incapaz de discernir o que era real. Hyunjin me segurou, ajudando-me a ficar de pé.
— Vamos, vou te levar para a enfermaria. — Disse Hyunjin, a voz cheia de preocupação.
No caminho para a enfermaria, eu lutava para recuperar o fôlego e entender o que estava acontecendo. As memórias de Ji-Yeon eram claras, mas a garota desconhecida... Por que eu a via? E por que sentia a dor dela tão intensamente?
Na enfermaria, Hyunjin me ajudou a me deitar em uma cama.
— O que aconteceu, Chan? — Perguntou ele, os olhos cheios de preocupação.
Fechei os olhos, tentando organizar os pensamentos.
— Eu... Eu não sei. Memórias, visões... Eu vi Ji-Yeon, mas também uma garota que não conheço. E a dor... Era como se fosse minha.
Hyunjin franziu o cenho.
— Talvez seja algum tipo de ligação que você ainda não entende. As memórias e as visões podem estar conectadas de alguma forma.
Assenti, mas o medo e a confusão ainda estavam presentes.
— Pode ser. Mas por que agora? Por que essa dor e essas visões?
Hyunjin suspirou.
— Precisamos descobrir. Talvez Ji-Yeon esteja passando pelo mesmo que você, já que vocês estão ligados.
Chan concordou, sentindo-se vulnerável e perdido.
— Obrigado, Hyunjin. E desculpe pelo problema entre eu e Felix. Eu sei que é difícil para você.
— Não se preocupe com isso agora. O importante é você ficar bem. — Respondeu Hyunjin, apertando meu ombro de maneira reconfortante.
Enquanto Hyunjin saía da enfermaria para buscar ajuda, eu fiquei sozinho com meus pensamentos. As visões ainda me assombravam, mas eu sabia que precisava encontrar respostas. E, talvez, a chave para entender tudo isso estivesse mais perto do que eu imaginava.
O silêncio da enfermaria me envolveu, e eu senti uma determinação, eu precisava entender essa conexão, essa dor e essas visões. Para o meu bem e pelo bem de Ji-Yeon e daquela garota desconhecida, eu não podia desistir.
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