Confesso que me fazer de durona pra ver a felicidade do meu irmão me doeu. Não me lembro ao certo de como fui parar no orfanato, mas sempre ouvi histórias de que eu cheguei lá aos meus 4 anos e desde então eu era sozinha. Por eu ser fechada e muito tímida, as outras crianças não chegavam perto de mim e assim foi até meus 5 anos, quando conheci Jae.



Lembro que eu estava brincando sozinha com minhas bonecas, quando ele se aproximou de mim e se sentou ao meu lado. O questionei, já que nunca ninguém se aproximava de mim, mas ele todo fofo pediu pra brincar comigo em coreano e depois disso não nos desgrudamos mais. Ele sempre dizia que ele queria ter uma irmã mais nova para que ele pudesse proteger, e por eu ser a menor de tamanho e estar sozinha ele sentiu obrigação de estar sempre comigo para me proteger e me fazer companhia.



Como ele não falava nada em Português, acabou que eu o ajudava com tudo. Eu até tentava ensinar português, mas não dava muito certo. Quando ele finalmente foi adotado, pensei que o senhor e senhora Yoon iriam tirá-lo de mim e mais uma vez ficaria sozinha, eu já estava acostumada com a rejeição e acabou sendo uma surpresa pra mim saber que eu também tinha sido adotada, eles viram que éramos inseparáveis, e que seria difícil adotar um e deixar o outro, então em nossa nova vida apenas algumas coisas mudaram, tínhamos de tudo e por eu ser mais velha que ele, acabei entrando na escola primeiro.



De início foi difícil me separar dele, mas nada que o tempo não desse jeito. Mesmo depois que crescemos eu ainda era isolada, mas ele nunca havia me deixado de lado por causa de seus amigos. Fomos nos separar mesmo quando ele estava no último ano, pois nossos pais ficaram com medo dele ter que servir o exército tão cedo, então no meio do ano ele foi pra Coreia. De início meus pais tinham que revezar para que não ficássemos sozinhos, ele foi pra Coreia com o nosso pai pra arrumar tudo enquanto que eu e mamãe ficamos no Brasil.


Eu via o esforço dos nossos pais para nos dar de tudo, então quando me formei, resolvi ir trabalhar pra poder ajudar em casa. Um ano passou bem lento pra mim e confesso que ficar longe de Jae foi muito difícil pra mim. Com o tempo minha depressão piorou, meus ataques de ansiedade, minhas crises de pânico. Tentei o meu máximo pra esconder dos meus pais, não queria desapontá-los. Na época que eu estudava, eu sofria bullying calada, eu era humilhada constantemente. Meus colegas descobriram minha história e me perturbavam dizendo coisas ruins como ninguém me querer, ou que eu só tinha sido adota por dó.



Isso durou por uns 3 meses, até que acabei tendo uma crise de pânico depois de apanhar de algumas meninas da minha sala. Acordei 2 dias depois em um hospital, onde meus pais descobriram sobre tudo o que acontecia comigo. Depois disso me mudaram de escola, mas eu já não era como antes, estava mais quebrada, se é que isso era possível. Cheguei a fazer tratamento, fingia ser alguém que não era, apenas pra não preocupar meus pais.



Depois de um ano longe do meu irmão, recebi a notícia de que iríamos morar na Coreia, nem preciso dizer o quanto fiquei feliz, não é? Cheguei aqui toda empolgada achando que minha vida voltaria ao normal, mas me enganei feio. Jae só apareceu aqui no dia em que chegamos, fiquei sabendo que ele iria morar com o tal amigo por ser mais próximo da Faculdade e do trabalho de meio período. 


Vi ali que nada tinha mudado, eu só tinha medo de tudo acontecer novamente. Eu ainda tinha duas semanas antes das aulas começarem e saber que eu não estaria o tempo todo com Jae, me desapontou um pouco. Eu estava contando com essa uma semana pra aproveitarmos o tempo perdido, mas mais uma vez a realidade bateu na minha cara com um taco de beisebol. Claro que fiz o meu melhor pra ele não perceber, eu não quero ser um estorvo pra ele como estou sendo para meus pais.



Acho que apenas eu que notei essa amizade dele, meus pais são mente aberta quanto a isso, mas me espantou eles não terem percebido nada e não seria eu que iria empatar o relacionamento dele. Ainda bem que fiz amizade por aqui, pelo menos não estarei tão sozinha assim. Assim que subi para meu quarto tomei um banho, eu estava morrendo de fome, então o banho foi rápido e assim que me arrumei com uma roupa leve de ficar por casa mesmo, fui pra cozinha pegar algo pra comer. Jae já tinha ido e como sempre eu estava sozinha e assim ficaria até as aulas começarem.



Sem perder tempo peguei as coisas e fui pra sala, Nada melhor do que maratonar uma série na Netflix. Acabei dormindo depois do terceiro episódio e acordei com meu celular tocando, numero desconhecido. Eu ainda estava tonta pelo sono e logo atendi.




_ Príncipe encantado… É você? - Eu disse fazendo graça achando que era meu irmão.



_ Er… Posso até ser se você quiser.



_ Quem está falando? - Eu disse sentando rapidamente sem reconhecer a voz.



_ Sou eu, Christopher.



_ Ah… Oi. - Eu disse sem graça. - Me desculpe pela brincadeira, pensei que fosse meu irmão.



_ Tudo bem.



_ Mas porque me ligou?



_ Está ocupada?



_ Não.



_ Que tal sairmos pra jantar?



_ Que horas são? - Digo olhando pra janela e vendo que está começando a escurecer.



_ Está cedo ainda, prometo não te liberar tarde.



_ Ah… Ok.



_ Me passa sua localização.



Sem perder tempo faço o que ele pediu.



_ Daqui a uma hora estou aí na porta. - Ele disse parecendo feliz.



_ Então até depois.




Logo me levanto e me espreguiço gostoso. Desligo a TV e vou pro quarto tomar um banho e me arrumar. Como estava um pouco frio, optei por uma calça preta colada, rasgada na perna, um cropedd preto com uma estampa de caveira mexicana na cor vermelha, meu velho sobretudo e meus coturnos. Fiz uma make básica, nada exagerado, passei um gloss transparente, só pra dar um brilho mesmo, deixei meus cabelos soltos, passei meu perfume favorito e sentei no sofá esperando Chris chegar.



Eu estava sapiando no Twitter quando meu celular começou a tocar e logo o nome do Chris aparecer brilhando.



_ Oi.



_ Já estou na frente da sua casa.



_ Já estou indo.



Apaguei as luzes e abri a porta. Fui saindo e logo senti o vento frio o que me fez arrepiar inteira. Logo tranco a casa e saio. Assim que abri o portão, vi um carro preto e logo a janela foi abaixando e pude ver um Christopher todo sorridente.



_ Eu vim salvá-la, linda princesa. - Ele disse fazendo graça.




Logo ele desceu e abriu a porta pra mim.



_ Pra onde vamos? - Eu disse colocando o sinto.



_ Pro castelo… Ainda tem mais sete príncipes te esperando.




Fico intrigada com sua fala… O que ele quis dizer com isso?




Pov de Bang Chan



Confesso que passei a tarde toda angustiado, eu estava eufórico pra dar os livros que comprei pra Lana. Eu sabia que se eu levasse para Cafeteria, seria difícil pra ela carregar depois então tive uma grande ideia, porque não convidá-la para um jantar? Então sem perder tempo passei a ideia pros rapazes que logo se empolgaram com a ideia.



Sem perder tempo liguei pra ela a convidando. Depois de convidá-la, corri pro banheiro tomar um banho. Eu tinha que causar uma boa impressão. Assim que a vi saindo meu mundo parou, como ela podia estar tão linda assim? Logo abaixei o vidro e a provoquei.



_ Eu vim salvá-la, linda princesa. - Digo fazendo graça, logo saio e abro a porta pra ela.



_ Pra onde vamos? - Ela diz entrando e já colocando o sinto.



_ Pro castelo… Ainda tem mais sete príncipes te esperando.




Nisso ela fez uma cara surpresa. Durante o percurso conversávamos banalidades e em vinte minutos já estávamos na casa que eu dividia com os meninos. Assim que chegamos fui logo descendo e abrindo a porta pra ela. Assim que abro a porta de casa ouvimos o povo tudo gritando, eles estavam na sala jogando Uno, quando perceberam a nossa presença eles pararam o que estava fazendo e se aproximaram da gente.




_ Oi lindinha. - IN veio logo em nossa direção e logo fez uma breve reverencia. - Quando o Chris me contou que você tinha aceitado o de convite pra um jantar aqui em casa eu não acreditei! - Ele parecia empolgado.



_ Eu estava de bobeira em casa… Sem contar que eu não queria ficar sozinha naquela casa mal assombrada.



_ Sozinha? Como assim? E seus pais… Seu irmão…? - Ele disse parecendo preocupado.



_ Meus pais foram pro Japão e só voltam semana que vem, já meu irmão foi curtir a última semana com o boy dele… - Ela disse um pouco triste.



_ Como esse povo tem coragem de deixar um bebê desses sozinha em casa? - Han apareceu todo histérico. - Prazer… Sou o Han e se quiser eu te adoto, assim você não fica sozinha nessa casa. - Ele disse a abraçando o que a pegou de surpresa.



_ Er… Me chamo Lana Yoon. - Ela disse sem graça.



_ Você é um pouco... diferente... das coreanas? Me explica isso? - Han disse confuso.



_ Han! - Eu disse o repreendendo.



_ Tudo bem. - Ela disse sem graça. - É que eu sou adotada.



_ Desculpa eu não… - Han disse todo atrapalhado.



_ Fica tranquilo, estou acostumada com isso.



_ Lana, esse é o Lee Know, aquele é o Changbin, esse é o Hyunjin, ele é o Felix e ele é o Seungmin. - Eu disse os apresentando. - Galera essa é a Lana, a futura escritora que tanto falamos.



Depois que os apresentei, fomos pra sala todos juntos jogar um pouco de conversa fora e nos conhecermos mais um pouco.



Próximo

0 Comments:

Postar um comentário