Pov de Mikaella
Abri os olhos lentamente, sentindo uma leveza que nunca havia experimentado antes. Ao meu redor, o ambiente era totalmente diferente do que eu lembrava. Não estava mais na casa afastada, cercada de homens armados. Em vez disso, estava em um campo vasto e florido, com flores coloridas balançando suavemente ao vento.
Me levantei, notando que não estava em minha forma humana. A percepção da minha forma lupina veio com uma sensação de maravilhamento e liberdade. Meus sentidos estavam aguçados, captando cada som e cheiro ao meu redor com uma nitidez impressionante. O sol brilhava no céu azul, e eu sentia o calor acariciando meu pelo branco.
Ao longe, avistei outro lobo, um majestoso alfa de pelagem escura, correndo em minha direção. Meu coração acelerou ao reconhecê-lo. Era Felix, em sua forma lupina, e ele parecia radiante de felicidade. Quando finalmente nos encontramos, começamos a correr juntos pelo campo florido, nossos passos sincronizados como se fossemos uma única entidade.
Enquanto corriamos, eu sentia uma conexão profunda com Felix. Nossos lobos estavam em perfeita harmonia, e eu podia sentir a felicidade de estarmos finalmente juntos. Cada salto, cada movimento parecia um reflexo de uma dança antiga, uma coreografia ensaiada por almas gêmeas ao longo dos tempos.
Eu me lembrava das histórias e lendas que ouvira sobre alfas e ômegas, sobre a ligação única e indestrutível entre companheiros de alma. Nunca havia dado muita atenção a essas histórias, achando que eram apenas contos antigos. Mas agora, tudo fazia sentido. Eu e Felix eramos predestinados, companheiros de alma que nasceram para ficar juntos.
A corrida pelos campos floridos parecia eterna, mas ao mesmo tempo, cada momento era efêmero. Eu podia sentir a alegria pura de nossos lobos, como se estivessem celebrando um reencontro há muito esperado. A sensação de liberdade e unidade era avassaladora, preenchendo-me com uma felicidade que nunca havia conhecido.
Em meio à corrida, eu comecei a recordar fragmentos da minha vida humana. Pensei em Eun-woo, em como ele havia me amado e protegido. A culpa e a confusão começaram a surgir, mas o lobo dentro de mim me confortou, mostrando que o destino tinha seus próprios planos. Eu amava Eun-woo, mas a ligação com Felix era algo além do que eu podia compreender.
De repente, os dois lobos pararam de correr e se deitaram lado a lado em uma clareira cheia de flores. Felix olhou para mim com olhos brilhantes de ternura e compreensão. Senti um fluxo de emoções e pensamentos compartilhados, como se pudessemos comunicar-mos sem palavras. Eu sabia que estavamos destinados a ficar juntos, que nossas almas estavam entrelaçadas de uma forma que transcendia o tempo e o espaço.
Enquanto estavamos ali, descansando juntos, senti uma paz profunda. Eu aceitei minha forma lupina, aceitei minha ligação com Felix e aceitei o destino que nos uniu. As lendas do sol e da lua, do alfa e da ômega, agora faziam parte da minha realidade. E, naquele campo florido, encontrei um lar ao lado de Felix, meu companheiro de alma.
O tempo parecia suspenso, mas eu sabia que logo teria que retornar à minha forma humana e enfrentar as complexidades da minha vida. No entanto, agora tinha a certeza de que não estava sozinha. Tinha Felix, e juntos, enfrentariamos qualquer desafio que viesse.
E enquanto descansavamos, cercados por flores e pelo sol brilhante, eu soube que, independentemente do que o futuro reservasse, sempre teriamos um ao outro.
Pov de Felix
Já fazia dois dias que Mikaella não acordava, sua cirurgia havia sido de risco, pois o tiro quase pegou seu coração, foi questão de milímitros pra ser certeiro. Assim como eu, Eun-woo também ficou ao meu lado dentro do quarto dela, não saímos um minuto.
Eu sentia a dor do meu irmão por tudo o que aconteceu com a Mikaella, eu sabia de como seus sentimentos eram verdadeiros, mas o que eu poderia fazer para mudar isso, sendo que eu e Mikalella éramos companheiros de alma?
Nós estávamos sentados na cadeira ao lado da cama, nossas cabeças nas pernas dela, algo bem clichê, mas fazer o que se estávamos esperando a mulher que amamos acordar? Tem horas que me questiono em como eu, alguém da máfia, estava aqui todo sentimental por uma mulher, mas aí eu lembro de que se trata da minha ômega, e não me envergonho disso.
Eu estava dormindo e sonhando com a Mikaella, em nossa forma lupina e dava pra sentir que ela estava feliz assim como eu, parecia que a loba dela havia me aceitado. Corriamos por um campo florido, eu sentia suas emoções e olha que nem a marquei ainda. Estávamos em uma sincronia perfeita, corriamos lado a lado, o sol batendo em nossa pelagem.
Paramos e deitamos, era uma troca de carinho constante, até que sinto alguém me chamar e acabo acordando assustado com Han me chamando pra ir comer alguma coisa.
_ Você estava sonhando com ela, não é?
_ Sim. - Eu disse passando a mão no rosto. - Que horas são?
_ Já são nove horas. Acorda você também. - Han disse mechendo com Eun-woo e fazendo-o levantar também. - Vocês só comeram algo no almoço de ontem, vão comer, antes que eu chame o Minho pra levar vocês dois a força. - Ele dizia dando-nos uma bronca.
_ Por falar no Minho... Vocês se acertaram? - Eun-woo disse se levantando.
_ Estamos caminhando aos poucos, nos conhecendo e tals. - Han disse todo envergonhado. - Agora vão comer. - Ele disse se sentado na cadeira que eu estava sentado. - Quando ela acordar eu aviso vocês, agora vão.
Logo saímos o deixando sozinho no quarto.
Pov de Han
Tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo e eu estava ficando maluco, não tendo com quem conversar. Desde que saí da Coreia e vim morar em Sydney, não consegui fazer amigos e isso acabou comigo. No começo eu sofria muito bullying na escola, mas depois que meu pai foi fazer uma visita e ameaçou a todos pelo o que eu sofria, nunca mais ninguém mecheu comigo, mas por outro lado ninguém queria ser meu amigo.
Quando terminei a escola, não me empolguei pra ir pra faculdade, eu ainda tinha medo de passar por tudo isso novamente, então vim pra Astrália, atrás dos meus irmãos. Meu pai vivia na Austrália, mas aí a primeira esposa do dele morreu. Ele tinha apenas um filho, o Cha Eun-woo, mas aí, depois de alguns anos ele conheceu a minha mãe e se casaram e foram embora pra Coreia e lá o Felix e eu nascemos.
Eun-woo acabou herdando os negócios do meu pai aqui na Austrália, mas como ele está na faculdade, o Chan está a frente de tudo. Já na Coreia meu pai tomava conta, estava preparando o Felix pra um dia ficar em seu lugar, mas em uma visita ele acabou sendo morto e nosso mundo virou de ponta cabeça.
Como eu não queria me envolver com esse mundo louco deles, resolvi vir pra Austrália e abrir uma Cafeteria. Eu estava tão empolgado em mostrar ao meu pai que eu tinha me dado bem sendo “normal”, que nessa visita ele acabou morrendo.
Conheci a Mikaella a uns 3 meses e conhecer ela fez meu mundo florescer, pela primeira vez na vida eu soube o que é ter uma amiga. Eu estava tendo uma vida social, a Cafeteria se ilumiou, o lugar ficou mais divertido. Quando meu pai morreu foi ela que me ajudou nos meus piores momentos.
Foi ela que me deu um colo pra chorar, que me confortou, que sempre esteve comigo, já que meus irmãos não tinham tempo pra mim e vê-la aqui em cuma cama de hospital me desestabilizou por completo.
Eu estava no hospital pra saber notícias da Stella, mas quando eu menos esperava vi Felix entrando com Mikaella desacordada, muito sangue, foi o que bastou pra eu ter uma crise de pânico e apagar.
Quando acordei eu quis ficar ao seu lado pra quando ela acordar, quero ter certeza de que ela está 100% bem. Eu quis saber exatamente o que aconteceu e Eun-woo foi quem me contou, já que Felix estava tentando lidar com o seu lobo.
Quando eu soube eu surtei! Como assim minha melhor amiga, praticamente irmã é como o Felix? Como assim ela consegue se transmutar? eram tantas perguntas que eu estava pirando. Ela é a predestinada do Felix, e como se ela está namorando o Eun-woo? Estou confuso.
Eu estava pensando nisso quando ouço um ruido vindo de Mikaella e quando olho a vejo tentando abrir os olhos. Assim que ela me viu um sorriso brotou em seus lábios.
_ Você acordou... - Eu disse fungando.
_ O-oi pra v-você também... - Ela disse rindo.
Nos abraçamos, com cuidado pois ela ainda sentia dor, e chorei feito criança, estava feliz por ela ter acordado. Logo fui chamar o médico pra olhar ela e fui avisar meus irmãos. Assim que eles souberam da notícia foram pro quarto para vê-la, eu estava vendo que o problema deles só estava começando.

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