Pov de Felix

 

 

 

 

Enquanto eu dirigia de volta para casa, eu não conseguia tirar Mikaella da minha cabeça. Eu sabia que a corrida da lua estava próxima e que eu precisava focar em minhas responsabilidades. No entanto, algo me dizia que Mikaella seria uma parte importante de meu futuro, de um jeito ou de outro. O destino havia colocado nós dois no mesmo caminho, e agora, só o tempo diria onde essa estrada os levaria.

 

 

 

 

Durante todo o trajeto que fiz, percebi os carros dos meus seguranças estavam me seguindo, prefiro ter o meu espaço, não gosto de ficar cercado, me sinto sufocado. Eu precisava apenas de um banho quente e minha cama confortável, aquela reunião me esgotou e eu me sentia cansado.

 

 

 

 

Cheguei em casa exausto, meus pensamentos ainda preso na imagem de Mikaella na Cafeteria e nas inúmeras responsabilidades que me aguardavam. No entanto, assim que entrei no hall de entrada, fui recebido por Changbin, um de meus mais leais aliados. Não crio barreiras por causa de status, Changbin é ômega, e gosta de estar na linha de frente comigo.

 

 

 

 

— Senhor, Minho acabou de chegar de viagem. — Disse Changbin, com um olhar sério. — E ele trouxe um presentinho pra você. Cameron.

 

 

 

 

Senti uma onda de irritação tomar conta do meu corpo. Cameron era um alfa que havia causado inúmeros problemas recentemente, tentando roubar cargas valiosas e espalhando o caos pela cidade. Eu sabia que precisava lidar com ele, mas a ideia de adiar meu merecido descanso me irritava ainda mais.

 

 

 

 

— Onde ele está? — Perguntei, já sabendo a resposta.

 

 

 

 

— Na sala de brinquedos. — Respondeu Changbin, com um leve sorriso.

 

 

 

 

A "sala de brinquedos" era um eufemismo sombrio para o lugar onde eu lidava com os traidores e aqueles que ousavam desafiar minha autoridade. Sem perder tempo, eu me dirigi para lá, minha cabeça agora focada na tarefa que me aguardava.

 

 

 

 

Ao entrar na sala, fui recebido pelo som de correntes e o gemido baixo de dor. Cameron estava acorrentado pelas mãos, seu corpo mostrando sinais claros de uma luta intensa. Hematomas e cortes cobriam sua pele, e seus olhos estavam cheios de uma mistura de medo e desafio.

 

 

 

 

Minho, que estava encostado na parede com um ar satisfeito, fez um leve aceno para mim.

 

 

 

 

— Pegamos ele tentando roubar mais uma das suas cargas. Achei que você gostaria de lidar com isso pessoalmente. - Minho disse com os olhos brilhando e um sorriso discreto nos lábios.

 

 

 

 

Me aproximei lentamente, cada passo carregado de autoridade e poder. Meus olhos se fixaram em Cameron, que agora parecia muito menos confiante do que antes.

 

 

 

 

— Você realmente achou que poderia me roubar e sair impune? — Eu disse, minha voz baixa mas carregada de uma ameaça silenciosa.

 

 

 

 

Cameron tentou manter sua postura desafiante, mas era claro que estava em desvantagem.

 

 

 

 

— Eu só... Só estava tentando sobreviver. — Sua voz tremia, traindo seu medo.

 

 

 

 

Soltei um riso curto e sem humor.

 

 

 

 

— Sobreviver? Você escolheu o caminho errado para isso. — Me inclinei mais perto, meus olhos fixos nos de Cameron. — Agora, você vai aprender o que acontece com aqueles que desafiam a mim e minha família.

 

 

 

 

Me levantei, dando um passo atrás. Olhei para Minho e Changbin, que estavam prontos para seguir minhas ordens.

 

 

 

 

— Minho, assegure-se de que ele entenda as consequências de suas ações. Eu quero que ele sinta cada segundo do que está por vir. Changbin, quero um relatório completo sobre o que ele fez e com quem estava trabalhando.

 

 

 

 

Os dois assentiram, prontos para cumprir as minhas ordens. Então me virei e saí da sala, minhas mãos ainda tremendo levemente de raiva contida. Enquanto caminhava de volta pelo corredor, tentei acalmar meus pensamentos. O mundo que eu liderava era brutal e impiedoso, e eu tinha que ser ainda mais forte e implacável para manter tudo sob controle.

 

 

 

 

Finalmente, cheguei ao meu quarto. A promessa de um banho quente e uma cama confortável parecia agora muito distante, mas eu sabia que precisava de algum momento de paz antes da corrida da lua e de todas as outras responsabilidades que vinham junto com meu legado.

 

 

 

 

Enquanto a água quente do chuveiro lavava a sujeira e o cansaço do dia, eu não conseguia parar de pensar em Mikaella. Havia algo nela que eu não podia ignorar, uma conexão que eu não conseguia explicar. Talvez, apenas talvez, ela fosse a chave para encontrar um pouco de luz em meio à escuridão da minha vida.

 

 

 

 

Com esses pensamentos, saí do banho, me vesti e deitei-me na cama, permitindo-me finalmente fechar os olhos. O dia havia sido longo e difícil, mas amanhã seria um novo dia, cheio de desafios e oportunidades. E, enquanto eu dormia, uma pequena chama de esperança queimava em meu coração, uma esperança de que, de alguma forma, eu encontraria meu caminho para um futuro melhor.

 


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