Pov de Jimin
A floresta do Oeste era sombria, com árvores altas e retorcidas que pareciam nos observar. O ar estava denso, impregnado de um cheiro de perigo e hostilidade. eu estava em minha forma lupina, corria logo atrás de Namjoon, meus olhos atentos a cada movimento entre as sombras. O cheiro de Felix estava ali, mas fraco, como uma memória distante que eu me agarrava com toda a minha força.
Eu vou encontrá-lo, pensei, ignorando o medo que rastejava por minha espinha.
Namjoon liderava o grupo, seu pelo dourado brilhando mesmo na escuridão. Ao lado dele, Jungkook e Kim Taehyung se moviam em perfeita sincronia, enquanto Yoongi mantinha-se um pouco mais à retaguarda, sempre vigilante. Outros alfas confiáveis de Namjoon completavam o grupo, formando uma linha sólida de força e determinação.
A floresta parecia sussurrar segredos, cada estalo de galho aumentando a tensão. Eu sabia que estávamos em território inimigo. Woojin não era conhecido por sua misericórdia, e qualquer deslize poderia custar caro.
À medida que nos aproximávamos da casa principal, um som ensurdecedor quebrou o silêncio da noite.
BOOM!
A explosão foi tão forte que o chão tremeu, eu quase perdi o equilíbrio. Eu parei por um segundo, ofegando, enquanto Namjoon soltava um grunhido baixo, sinalizando que continuássemos.
Logo após o estrondo, um uivo ecoou pela floresta. Era profundo, poderoso e carregado de fúria. Um arrepio percorreu a minha espinha, mas não vacilei. Sabia o que estava em jogo.
– Felix está perto, o pensamento de Namjoon chegou pelo laço mental do grupo, sua voz firme, mas cautelosa.
Não demorou muito para que nós estivéssemos cercados. Alfas do Oeste surgiram das sombras, formando um círculo ao redor de nós. Eram muitos, suas formas lupinas enormes e intimidadoras. Os rosnados deles preenchiam o ar, ameaçador.
Tentei conter o medo que crescia dentro de mim. Estávamos em desvantagem numérica, mas eu sabia que não podíamos mostrar fraqueza.
Foi então que ele apareceu.
Woojin.
Sua forma lupina era impressionante: um lobo cinza mesclado de preto, imenso e com olhos brilhantes que pareciam enxergar a alma. Ele se aproximou lentamente, o círculo de alfas abrindo caminho para ele.
Quando Woojin falou, sua voz grave e carregada de desprezo ressoou pela clareira:
– Horas... o que temos aqui?
Senti meus músculos tencionarem enquanto Woojin caminhava ao nosso redor, seus olhos avaliando cada membro do grupo.
– Vocês ousam entrar nas minhas terras? – Woojin continuou, suas presas à mostra em um sorriso ameaçador. – Isso é coragem... ou pura estupidez?
Namjoon, mesmo em sua forma lupina, ergueu-se com imponência, respondendo com um rosnado grave que deixou claro que ele não se intimidaria.
Tentei me concentrar, lutando para não ceder ao medo. Eu sabia que o confronto era inevitável, mas uma pergunta persistia em minha mente: Onde está Felix?
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Pov de Chan
Ajustei Hyunjin em minhas costas, o peso parecendo ainda maior com cada passo. Mesmo assim, eu me recusava a parar. A febre de Hyunjin não diminuía, e sua respiração irregular era um lembrete constante de que o tempo estava contra nós.
– Minha vez agora. – Disse Changbin, aproximando-se e colocando a mão no meu ombro.
– Está tudo bem, eu aguento mais um pouco. – Respondi ofegante, mas determinado.
– Não. Você está exausto. Me deixe cuidar disso. – Insistiu ele, sua expressão séria.
Relutante, acabei cedendo. Changbin e Minho revezavam comigo para carregar Hyunjin, que gemia baixinho a cada movimento. A floresta ao redor era silenciosa, exceto pelos sons de nossos passos e o farfalhar das folhas.
– Precisamos encontrar um lugar para parar. – Disse Minho, a voz baixa, mas firme. – Hyunjin não vai aguentar muito tempo assim.
Assenti, olhando para frente. Eu sabia que Minho estava certo, mas onde poderíamos encontrar ajuda no meio daquela floresta densa e isolada?
Foi então que eu as vi.
– Casas! – Exclamei, apontando para algumas construções escondidas entre as árvores.
Meu coração se acelerou com uma mistura de alívio e cautela. Nós não tínhamos escolha. Precisávamos tentar.
Com cuidado, nos aproximamos das casas. A primeira parecia estar habitada, com luzes fracas piscando pelas janelas. Bati na porta, com a voz hesitante, mas urgente.
– Por favor, precisamos de ajuda!
A porta se abriu, revelando um homem alto com olhos calorosos, mas atentos. Ele nos observou por um momento antes de seus olhos caírem em Hyunjin, que estava pálido e sem forças.
– Entrem – Ele disse, sem hesitar. – Rápido.
Senti um peso sair de meus ombros quando o rapaz e outro homem, que se apresentou como J-Hope, nos guiaram para dentro. O ambiente era acolhedor, com cheiro de ervas e uma lareira acesa.
– Coloque ele aqui – instruiu o homem que nos atendeu, apontando para uma cama improvisada em um canto do cômodo.
Com cuidado, Changbin e Minho deitaram Hyunjin, enquanto ele examinava o alfa febril. Ele rapidamente começou a preparar uma infusão com ervas que pegou de um armário próximo, enquanto J-Hope trazia toalhas úmidas para tentar baixar a febre.
Eu observava tudo com gratidão silenciosa.
– Ele está muito fraco. – Disse Jin, sua voz calma, mas firme. – Mas com repouso e os cuidados certos, ele vai melhorar.
– Obrigado – Eu disse com a voz embargada.
Jin apenas acenou com a cabeça, concentrado em seu trabalho.
Enquanto Jin cuidava de Hyunjin, J-Hope nos levou para a cozinha, onde ofereceu comida simples, mas nutritiva. Aceitei com relutância no início, minha preocupação com Hyunjin ainda pesando, mas sabia que precisava manter nossas forças.
– Vocês parecem ter vindo de muito longe. – Comentou J-Hope, enquanto nos servia água.
– Viemos. – Respondeu Minho, os olhos fixos na entrada do quarto onde Hyunjin estava. – Estamos em uma missão.
J-Hope trocou um olhar breve com Jin, que acabava de entrar na cozinha, limpando as mãos.
– Então vocês escolheram um bom lugar para descansar. – Disse Jin, com um sorriso breve, mas reconfortante. – Aqui, vocês estarão seguros por enquanto.
Senti algo dentro de mim relaxar pela primeira vez em dias. Embora soubesse que a jornada estava longe de terminar, por enquanto, tínhamos um refúgio.

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