Pov de Yuna
Eu estava mergulhada em um silêncio inquietante. Sentada à beira da cama, sentia o peso da descoberta como um manto gelado sobre os ombros. Meus dedos trêmulos repousavam sobre o ventre ainda plano, e as lágrimas escorriam silenciosas por meu rosto.
Ver o olhar de Yeosang, ele parecia surpreso com a notícia, mas não disse nada. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Wooyoung e San, que estavam ao lado, trocaram olhares incertos antes de tentarem me confortar.
_ Eu sei que isso é difícil, mas você não está sozinha. Nós vamos cuidar de você. — Wooyoung disse tentando me acalmar.
— Estamos com você. — San acrescentou, firme.
Mas nada do que eles dissessem poderia amenizar o peso da ausência de palavras de Yeosang. Ele não disse nada, absolutamente nada, e isso foi o que mais doeu. Finalmente ergui a mão, indicando que queria ficar sozinha.
— Por favor, saiam. Preciso de um tempo. — Minha voz saiu baixa, quase um pedido.
Wooyoung e San hesitaram, mas obedeceram. Yeosang permaneceu por um momento, imóvel, mas logo também se retirou, sem olhar para trás. Quando a porta se fechou, deixei escapar um soluço que vinha segurando.
Eu sabia. Tudo havia mudado.
A noite caiu, trazendo um frio que parecia se entranhar nos ossos. Wooyoung entrou no quarto com uma bandeja de jantar.
— Você precisa comer, Yuna. Agora você está comendo por dois. — Ele disse, tentando soar animado.
Olhei para ele, meu olhar vazio. Peguei um pedaço de pão, mas logo o larguei.
— Ele não gostou da notícia, Wooyoung. Eu vi. Ele ficou calado.
— Yeosang só estava surpreso. Isso não significa que ele não se importa.
Balancei a cabeça, amargurada.
— Eu sei como é um alfa. Eles não gostam de criar o filhote de outro. E não posso culpá-lo. Ainda bem que estamos no começo. Assim, ele não tem obrigação de ficar comigo.
Wooyoung não conseguiu esconder a tristeza ao ouvir isso, mas não insistiu. Ele se despediu, prometendo voltar de manhã.
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Pov de Wooyoung
Assim que sai do quarto, fui direto procurar San. O encontrei na sala, com a testa franzida de preocupação.
— Ela acha que Yeosang a rejeitou por causa da gravidez, San. Está se culpando e... — Respirei fundo, tentando controlar a raiva. — Não sei como ajudá-la.
San ficou em silêncio por um momento, mas logo se levantou.
— Vou falar com Yeosang. Isso precisa ser resolvido.
Achei que ela ficaria feliz com a notícia da gravides, mas estou vendo que isso seria uma dor de cabeça.
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Pov de San
Eu precisava conversar com Yeosang e tirar esse assunto da cabeça, não quero ver Yuna sofrendo novamente. Assim que cheguei a casa de Yeosang, o encontrei no jardim. Ele estava claramente pensativo, com o olhar perdido entre as árvores.
— Está frio para pensar aqui fora — Eu disse me aproximando.
Yeosang suspirou, mas não respondeu. Me sentei ao lado dele.
— Ela acha que você a rejeitou. Acha que é por causa da gravidez.
Os olhos de Yeosang se arregalaram, e ele virou-se para mim, incrédulo.
— Eu... não. Eu só... — Ele passou a mão pelo cabelo, frustrado. — Foi um choque. Saber que ela está grávida, que o alfa dela a rejeitou mesmo assim. Mas eu jamais faria isso. Eu gosto dela, San. Gosto de verdade.
Sorri aliviado.
— Então você precisa dizer isso a ela. Amanhã, no café da manhã, aproveite e fale tudo. Não deixe espaço para dúvidas.
Yeosang assentiu, determinado.
Depois dessa breve conversa, voltei para casa pra tranquilizar o meu ômega. Não sei como, mas eu e Woo conseguíamos sentir a tristeza dela e isso era sufocante. Woo queria contar a ela sobre a conversa que tive com Yeosang, mas não deixei, pois isso era algo que ele pessoalmente deveria fazer.
Na manhã seguinte nos levantamos e fomos tomar banho juntos e namorar um pouco. Já devidamente vestidos eu desci enquanto que Woo foi acordar Yuna. Yeosang já esperava na sala, ele parecia nervoso.
— Onde ela está? — Ele perguntou ansioso.
— Saiu cedo para a ronda. — Respondeu Woo descendo as escadas com um papel na mão. — Não disse quando voltaria.
Sem dizer nada, Yeosang saiu correndo, ele parecia desesperado.
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Pov de Yeosang
Tentei procurá-la na floresta, eu precisava ter essa conversa com ela e esclarecer as coisas. Demorou, mas finalmente venci minha timidez e cheguei nela pra agora a perder assim por um mal entendido.
Percorri a floresta e cheguei no ponto que seria a cabana dela, mas quem disse que eu encontrava? Ela estava magoada pela minha falta de atitude e pelo visto ela colocou um véu novamente em sua cabana, impedindo que eu a encontrasse.
Parei, frustrado, olhando para as árvores ao meu redor.
“Yuna”, — Sussurrei. — “Eu vou consertar isso. Eu prometo.”

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