Pov de Seungmin
A biblioteca da faculdade estava quase vazia àquela hora da tarde, mas o som de passos apressados ecoava pelos corredores enquanto eu e Changbin caminhávamos em direção ao prédio. Eu estava inquieto, meus olhos fixos no chão, enquanto Changbin tentava manter o ritmo ao meu lado.
— Você não pode continuar guardando isso, Seungmin. — A voz de Changbin era séria, mas baixa o suficiente para não atrair atenção. — Chan precisa saber.
— E você acha que é fácil? — Respondi, parando de repente. — Eu vou destruir qualquer confiança que ele ainda possa ter em mim!
— Você já destruiu isso no momento em que aceitou ajudar Min-Jae. — Changbin cruzou os braços, me encarando. — Agora, o mínimo que você pode fazer é ser honesto.
Suspirei, passando as mãos pelo rosto, exausto. Eu sabia que Changbin estava certo, mas o peso do que precisava confessar parecia me esmagar.
Chegamos à entrada da biblioteca e, antes que pudéssemos continuar a conversa, a porta se abriu. Minho, Han e Chan saíram rindo de algo, mas pararam abruptamente ao ouvir as minhas palavras.
— Eu sei que errei, tá? Ajudar Min-Jae foi a pior decisão da minha vida! — Eu explodi, sem perceber os dois alfas e o ômega ali.
Minho estreitou os olhos, Han ficou rígido, e Chan congelou no lugar.
— O quê? — Han deu um passo à frente, sua expressão transformada em fúria. — Você ajudou Min-Jae? Você realmente estava com ela naquele plano sujo?
Dei um passo para trás, levantando as mãos em sinal de rendição, mas Han já avançava.
— Calma, Han! — Chan segurou o braço dele, interrompendo-o. — Deixe-me lidar com isso.
Han hesitou, mas recuou, ainda bufando de raiva. Chan, por sua vez, olhou para mim com uma expressão firme, mas não agressiva.
— Vamos conversar. Agora. — Sua voz era calma, mas carregada de autoridade.
Chan me guiou para um banco de pedra no jardim atrás da biblioteca. O silêncio entre nós era pesado, até que Chan finalmente quebrou o gelo.
— Fale. Quero ouvir tudo.
Engoli em seco, os olhos marejados. Eu sabia que não havia mais como fugir.
— Eu... — A voz falhou, e abaixei a cabeça. — Eu cometi um erro, Chan. Min-Jae me procurou antes da festa. Disse que precisava da minha ajuda para afastar Ji-Yeon, para que ela pudesse assumir a liderança da matilha.
Chan não disse nada, apenas continuou olhando fixamente para mim, que continuei.
— Eu estava... com raiva de tudo. De você, de como as coisas estavam indo. Min-Jae me prometeu que se eu a ajudasse, ela ficaria com a liderança, e você ficaria comigo. Eu aceitei, mas... eu não sabia o que ela realmente planejava. — Respirei fundo, as lágrimas começando a cair. — Ela me enganou, Chan. Fez com que eu desse aquela poção a você. Só depois, quando tudo já tinha acontecido, eu entendi o que fiz.
Chan ainda estava em silêncio, mas seu olhar tinha suavizado.
— Seungmin... — Ele começou, mas eu o interrompi.
— Me desculpe, Chan. Do fundo do meu coração, eu sinto muito. Eu nunca pensei que algo tão grave aconteceria. Mesmo ainda te amando, eu jamais quis te machucar assim. Eu... eu me arrependo todos os dias.
As lágrimas corriam livremente pelo meu rosto agora, e minha voz tremia. Chan suspirou, passando a mão pelos cabelos enquanto processava as palavras. Ele sabia o peso da confissão e conseguia enxergar a sinceridade na minha dor.
— Eu acredito em você. — As palavras de Chan foram firmes, mas gentis. — E, mesmo que isso não apague o que aconteceu, eu te perdoo.
O olhei, surpreso, enquanto Chan continuava.
— Todos cometemos erros, Seungmin. Mas, para mim, o mais importante é que você está tentando consertá-los. Só não guarde mais segredos como esse.
Assenti, soluçando.
— Obrigado... obrigado por me ouvir, Chan. Eu prometo que vou compensar isso.
Chan apenas assentiu, levantando-se.
— Vamos resolver isso juntos. Mas, antes de tudo, temos que contar ao resto da matilha. Eles merecem saber também.
Engoli em seco, mas sabia que Chan estava certo. Eu apenas esperava que os outros também pudessem, um dia, me perdoar.

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