Pov de Hyunjin

 

 

O sol da manhã penetrava pelas cortinas semiabertas, mas eu ainda estava deitado, envolto pela maciez dos lençóis. Estiquei a mão para o lado, esperando encontrar o calor familiar do meu ômega, mas toquei apenas o tecido frio do colchão.

 


Franzi o cenho, abrindo os olhos lentamente. Me sentei, passando a mão pelo cabelo bagunçado, e olhei ao redor. O quarto estava silencioso, mas a ausência de Felix ecoava como um vazio ensurdecedor.

 

 

– Felix? – Chamei com a voz rouca de sono. Nenhuma resposta.

 

 

Joguei as pernas para fora da cama e me levantei, os pés descalços tocando o chão gelado. O apartamento estava em silêncio enquanto eu caminhava para a cozinha, depois para a sala, e até mesmo o banheiro. Nada.

 


A inquietação cresceu em meu peito. Onde ele estaria? Felix nunca saía sem avisar. Era uma rotina, uma regra silenciosa entre nós dois. Voltei para o quarto, esperando encontrar o celular de Felix ou qualquer sinal dele. Foi então que meus olhos pousaram na mesa ao lado da cama. Havia um pedaço de papel dobrado.

 


Com as mãos ligeiramente trêmulas, peguei o bilhete e comecei a ler:

 

 

"Hyunjin,

Se você acha que não preciso estar ao seu lado nessa busca por Ji-Yeon, está enganado. Ela é minha melhor amiga, e eu não posso ficar parado enquanto você e Chan vão atrás dela sozinhos. Não me leve a mal, mas prefiro fazer isso à minha maneira. Preciso resolver isso. Não se preocupe.

 

Felix."

 

 

Senti o chão desabar sob seus pés. Eu reli o bilhete várias vezes, como se pudesse encontrar uma mensagem escondida ou um vestígio de onde Felix poderia ter ido. Mas não havia nada.

 

 

– Como ele pode fazer isso? – Murmurei, a preocupação se transformando em desespero.

 

 

Sem pensar duas vezes, peguei o telefone e liguei para Chan.

 

 

– Hyunjin? – A voz de Chan soou alerta do outro lado da linha.

 

 

– Felix se foi! – Exclamei, incapaz de esconder o pânico. – Ele deixou um bilhete dizendo que foi atrás de Ji-Yeon sozinho!

 

– O quê? – A surpresa na voz de Chan foi seguida por um silêncio breve. – Vem pra minha casa agora. Precisamos agir rápido.

 

 

Sai de casa às pressas, o coração batendo descompassado. Assim que cheguei à casa de Chan, vi que ele já estava preparando algo em seu notebook, provavelmente tentando rastrear qualquer pista de onde Felix poderia ter ido. Mostrei o bilhete, e Chan o leu com atenção, a expressão endurecendo.

 

 

– Ele não devia ter feito isso... – Murmurou Chan. – Não agora.

 


– O que você quer dizer com "não agora"? – Perguntei, sentindo um aperto no peito.

 

 

Chan hesitou, mas antes de responder, pegou o telefone e começou a ligar para os outros. Em pouco tempo, Minho, Han, Changbin, Jeongin e Seungmin estavam na sala, todos com expressões preocupadas.

 

 

– O que está acontecendo? – Minho perguntou, olhando para Chan e depois para mim.

 

 

Chan respirou fundo antes de falar, escolhendo as palavras com cuidado.

 

 

– Felix foi atrás de Ji-Yeon sozinho. Ele deixou um bilhete dizendo que precisava resolver isso à maneira dele.

 

 

– O quê?! – Han exclamou, os olhos arregalados. – Por que ele faria isso?

 

 

– Porque ele é teimoso – Murmurou Minho, mas sua expressão estava tensa. – Ele acha que tem que proteger todo mundo, mesmo que isso signifique se colocar em perigo.

 


– Tem mais uma coisa. – Chan disse, a voz mais baixa. Todos olharam para ele, esperando. – Vocês sabem como o Felix é inseguro consigo mesmo e ele temia que se alguém da escola soubesse que ele estivesse grávido antes de terminar a escola...

 

 

O silêncio que se seguiu foi quase palpável. Senti o ar sair de meus pulmões. Óbvio que eu sabia da gravidez, tanto que até moramos juntos, mas ele não queria que ninguém soubesse de sua gravidez, inclusive seus amigos, pois ele não queria ser tratado diferente.

 


– Ele está arriscando não só a vida dele, mas a do bebê também – Chan continuou, passando a mão pelo rosto. – Não podemos perder tempo. Temos que encontrá-lo.

 


– Mas não temos ideia de onde ele foi – Seungmin apontou, a frustração evidente em sua voz.

 

– Ele mencionou Ji-Yeon – Changbin lembrou. – Talvez tenha ido para algum lugar onde ela costumava ir. Algum lugar especial.

 

 

Todos começaram a listar possibilidades enquanto Chan tentava localizar o telefone de Felix. Hyunjin, por sua vez, sentia a culpa crescer. Ele sabia que Felix se sentia excluído, mas nunca imaginou que isso o levaria a algo tão impulsivo.

 


– Vamos dividir. – Disse Minho, assumindo o controle da situação. – Cada um verifica um lugar. Se encontrarmos qualquer pista, avisamos os outros.

 


Com os corações pesados, mas a determinação brilhando em meus olhos, nós saímos em busca de Felix, esperando encontrá-lo antes que fosse tarde demais.

 

 

 

 

Pov de Han

 

 

Eu estava sentado no banco do passageiro enquanto Minho dirigia apressadamente pela cidade. Estávamos em silêncio, o ar pesado com a tensão do momento. Assim que o carro parou em frente à biblioteca da cidade, saltei para fora, não esperando por Minho.

 

 

– Eu vou checar aqui. Se eu não encontrar nada, vou para outro lugar – Eu disse com a voz séria, antes de correr para o prédio.

 

 

A biblioteca estava calma, o som de páginas virando e teclas sendo pressionadas preenchendo o ambiente. Passei os olhos pelas mesas de leitura, tentando encontrar a figura familiar de Felix. Nada. Subi as escadas até o andar superior, passando por fileiras de estantes, mas o resultado foi o mesmo.

 


Caminhava de volta para a entrada quando decidiu perguntar à bibliotecária.

 

 

– Com licença – Eu disse, tentando manter a calma enquanto mostrava a foto de Felix no celular. – Você viu esse garoto por aqui hoje?

 

 

A mulher ajustou os óculos, analisando a foto antes de balançar a cabeça negativamente.

 

 

– Não, querido. Desculpe.

 


Agradeci, mas o peso em meu peito só aumentava. Sai da biblioteca e enviei uma mensagem para Minho:

 

 

"Nada aqui. Vou para a casa de Ji-Yeon."

 

 

Minho respondeu rápido:

 

 

"Cuidado. Avise se encontrar algo."

 

 

Peguei um táxi para a casa de Ji-Yeon, a mente girando com perguntas. Por que Felix faria algo tão arriscado? Ele sabia que a gravidez o tornava mais vulnerável. Não era apenas imprudência, era um grito de ajuda.

 


Quando cheguei à casa de Ji-Yeon, bati na porta com urgência. Uma mulher mais velha, que ele supôs ser a mãe dela, a senhora Song atendeu.

 

 

– Posso ajudar? – Ela perguntou, parecendo exausta.

 


– Desculpe incomodar. – Eu disse, forçando um sorriso educado. – Sou amigo da Ji-Yeon. Você tem alguma notícia dela? Ou talvez de Felix?

 

 

A mulher suspirou, cruzando os braços.

 

 

– Não tenho notícias da Ji-Yeon desde que ela desapareceu. Sobre o Felix, não faço ideia. Faz tempo que não o vejo.

 

 

Balancei a cabeça, sentindo a frustração crescer.

 

 

– Tudo bem. Se ouvir algo, por favor, me avise – Eu disse, entregando meu número em um pedaço de papel.

 

 

Eu estava prestes a sair quando ouviu passos atrás de mim. Ao me virar, vi Min-Jae, a irmã de Ji-Yeon, parada na porta com um olhar frio e entediado.

 

 

– Procurando pela minha irmã? – Min-Jae perguntou, os braços cruzados. – Você deveria parar. É perda de tempo.

 

 

Estreitei os olhos, surpreso com a atitude dela.

 

 

– O que você quer dizer com isso? – Perguntei, a voz baixa, mas carregada de tensão.

 

 

Min-Jae deu de ombros.

 

 

– Ela não faz questão de voltar. Não é como se fosse importante pra ela. E quanto ao Felix? – Ela riu, sem humor. – Ele está fazendo isso só pra chamar atenção. Todos sabemos como ele é.

 

 

A raiva subiu rápido no meu peito. Dei um passo à frente, mas me conteve.

 

 

– Cuidado com o que você diz, Min-Jae. Você não sabe o que estamos passando. Felix está arriscando tudo por causa da sua irmã. Você não tem o direito de desrespeitá-lo assim.

 


– Claro que não tenho – Ela disse, o sarcasmo pingando de cada palavra. – Porque ele é tão perfeito, não é? Vocês todos acham isso.

 

 

Fechei os punhos, ao impulso de responder com algo mais contundente quase vencendo. Mas eu sabia que perder o controle não ajudaria em nada. Respirei fundo, virando-me para sair.

 

 

– Você pode não se importar, mas nós nos importamos. – Respondi por cima do ombro, sem olhar para ela. – E vamos encontrá-los. Com ou sem a sua ajuda.

 

 

Sai apressado, o coração batendo rápido. Senti a necessidade de socar alguma coisa, mas canalizei a frustração em minha determinação. Peguei o telefone e liguei para Minho.

 

 

– Min-Jae é um problema. – Eu disse assim que Minho atendeu. – Ela acha que é perda de tempo procurar Ji-Yeon e que Felix está fazendo drama.

 


– Ignore. Vamos focar no que importa. – Respondeu Minho, a voz firme. – Encontre-se comigo. Vamos traçar outra rota. Não podemos perder tempo.

 


Respirei fundo, tentando afastar a raiva, e comecei a andar rapidamente. Eu sabia que cada segundo contava.

 


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