Pov de Changbin

 

 

Eu e meu ômega corríamos pela estrada de terra que levava ao abrigo. A pequena construção ficava nos limites da cidade, cercada por árvores e com o silêncio típico do campo. Para Felix, aquele lugar era um refúgio. Ele se dedicava a ajudar ômegas que haviam passado por situações difíceis, e eu tinha esperanças de que, talvez, ele tivesse buscado conforto ali.

 

 

– Se ele estiver em algum lugar, é aqui – Eu disse, enquanto diminuía a velocidade ao nos aproximarmos.

 

– É um bom palpite – Respondeu Jeongin, a voz carregada de preocupação. – Mas, mesmo se ele não estiver, alguém pode ter ouvido ou visto algo.

 

 

Estacionei o carro e logo saímos, entramos no abrigo, sendo recebidos por um silêncio acolhedor. Algumas ômegas estavam reunidas em uma sala adjacente, conversando em voz baixa. Uma delas levantou o olhar ao nos ver e sorriu levemente.

 

 

– Vocês estão procurando alguém? – Perguntou a jovem.

 


– Sim. – Eu disse, mostrando uma foto de Felix em meu celular. – Ele esteve aqui hoje?

 

 

A jovem analisou a imagem antes de balançar a cabeça.

 

 

– Não o vi hoje. Mas o senhor Song está no escritório. Talvez ele possa ajudar.

 

 

Eu e Jeongin. agradecemos e seguimos pelo corredor até uma porta entreaberta. Lá dentro, o senhor Song, um homem de postura firme e cabelos grisalhos, estava sentado em uma cadeira de madeira. Apesar de sua presença autoritária, havia gentileza em seus olhos. Ele levantou o olhar ao nos perceber.

 

 

– Changbin, Jeongin – Cumprimentou ele, acenando para que entrássemos. – O que os trazem aqui?

 

– Estamos procurando Felix. – Comecei, sem rodeios. – Ele desapareceu esta manhã. Estamos preocupados. Achamos que ele poderia ter vindo aqui.

 

 

O senhor Song franziu o cenho, apoiando os cotovelos na mesa.

 

 

– Felix não apareceu aqui hoje. Mas vocês sabem que este lugar é especial para ele. É um bom ponto de partida para procurá-lo.

 


– O senhor ouviu algo sobre Ji-Yeon? – Perguntou I.N., hesitante. – Alguma novidade?

 

 

O semblante do senhor Song se fechou ainda mais. Ele suspirou, cruzando os braços.

 

 

– Infelizmente, nada. Tenho homens de confiança procurando por ela há dias, mas é como se ela tivesse desaparecido da face da Terra. Estamos todos preocupados.

 

– Nós também estamos. – Respondi, sentindo o peso na voz. – E Felix, especialmente. Ele não deveria estar fazendo isso sozinho, mas é teimoso.

 

 

O senhor Song assentiu lentamente.

 

 

– Vocês têm razão de se preocupar. Não é seguro, nem para ele nem para... vocês sabem. – Ele olhou para nós dois com significado, sem precisar dizer em voz alta o que todos sabiam: Felix estava grávido. – Se eu souber de algo, prometo avisar imediatamente.

 


– Agradecemos, senhor Song – Disse I.N., tentando esconder sua frustração. – Vamos continuar procurando. Fique de olho, por favor.

 


– Sempre estou. – Respondeu o homem, oferecendo um pequeno sorriso reconfortante. – Boa sorte, rapazes.

 

 

Eu e Jeongin nos despedimos e saímos do abrigo com passos pesados. O silêncio entre nós no caminho de volta era carregado de frustração e preocupação.

 

 

– Isso não está certo – Murmurou I.N., finalmente quebrando o silêncio. – Não temos nada. Nenhuma pista. Como vamos encontrá-lo assim?

 

 

Apertei os punhos, tentando manter a calma.

 

 

– Vamos continuar procurando. Ele não pode ter ido tão longe. Mas precisamos voltar para a casa do Chan. Se alguém tiver encontrado algo, é lá que vamos saber.

 

 

A sensação de impotência nos acompanhava, mas a determinação era maior. Mesmo sem informações positivas, sabíamos que não podíamos desistir. Felix e Ji-Yeon precisavam deles.

 



 

 

 

Pov de Seungmin

 

 

Eu caminhava pela floresta com passos rápidos e cautelosos, o frio do amanhecer se agarrando à minha pele. Eu sabia que não era prudente estar ali sozinho, mas a lembrança de Hyunjin mencionando magia e Felix mencionando a bruxa da floresta não saía da minha cabeça. Se ela tinha alguém envolvimento com isso, talvez a velha pudesse oferecer respostas.

 


A floresta era densa, os galhos acima formando uma cúpula que bloqueava a maior parte da luz do sol. O som dos pássaros e do vento balançando as folhas era minha única companhia enquanto eu avançava por caminhos que pareciam intermináveis. Eu já estava ali há horas quando finalmente vi a silhueta de uma cabana no horizonte.

 


Respirando fundo, me aproximei da estrutura de madeira velha, com janelas sujas e uma porta que parecia prestes a ceder. Levantei a mão e bati, o som ecoando na floresta. Por um momento, tudo permaneceu em silêncio, mas então uma voz rouca e arrastada respondeu de dentro:

 

 

– Entre, filhote.

 

 

Abri a porta com cuidado. O interior da cabana era pequeno e abafado, iluminado apenas pela luz de velas que tremeluziam. Uma velha de cabelos longos e grisalhos estava sentada em uma cadeira perto da lareira, mexendo algo em uma tigela de ferro. Seus olhos, pequenos e penetrantes, se levantaram para me encarar.

 

 

– Sei por que você está aqui – Disse ela antes que eu pudesse abrir a boca. – Não precisa dizer nada.

 

 

Congelei, surpreso, mas ela continuou, sem desviar o olhar.

 

 

– Está procurando respostas. Quer saber onde estão Ji-Yeon e o garoto. Felix, não é? – Um sorriso fino e quase sarcástico surgiu em seu rosto. – Antes de tudo, quero dizer que você tem culpa nisso.

 

 

Franzi o cenho, dando um passo à frente.

 

 

– Como assim? – Perguntei, tentando manter a voz firme.

 


A velha bufou, como se sua pergunta fosse ridícula.

 

 

– Sua frieza, sua distância, a maneira como você mantém todos à distância, inclusive seu próprio companheiro. Isso afastou Ji-Yeon. E, se continuar assim, vai afastar ainda mais pessoas. Inclusive ele.

 

 

Senti um calafrio, mas não sabia se era pela bruxa ou pelas palavras que ela dizia. Apertei os punhos, tentando ignorar a sensação de que ela estava vendo algo dentro de mim que eu mesmo não queria enxergar.

 

 

– Isso não importa agora. – Respondi tentando mudar o rumo da conversa. – Estou aqui por Felix e Ji-Yeon. Você sabe onde eles estão?

 

 

A velha riu, um som áspero e quase zombeteiro.

 

 

– Você os encontrará, sim. Mas saiba disso, garoto: quando encontrar Ji-Yeon, seu companheiro será revelado. Está preparado para isso?

 

 

Senti o estômago revirar, mas me forcei a manter o foco.

 

 

– Onde estão? – insistiu.

 

 

A velha me observou por um longo momento antes de responder, os olhos brilhando como se ela estivesse se divertindo com o meu desconforto.

 

 

– Felix e Ji-Yeon estarão juntos. E, para encontrá-los, você e seus amigos precisam enxergar com o coração, não com os olhos. – Ela se inclinou para frente, seu tom ficando mais sério. – Verifiquem as matilhas. É onde as respostas estão. Mas cuidado: as matilhas guardam segredos mais profundos do que vocês imaginam.

 

 

Não respondi de imediato. Eu sentia o peso das palavras dela se alojando em minha cabeça, mas sabia que não podia perder mais tempo. Eu apenas assenti.

 

 

– Obrigado – Eu disse voltando-se para a porta.

 


– Boa sorte, garoto – Disse a velha, com um tom enigmático. – Você vai precisar.

 

 

De volta à casa de Chan, encontrei o grupo reunido na sala. Seus rostos estavam cansados, mas a preocupação ainda queimava em seus olhos. Entrei apressado, chamando a atenção de todos.

 

 

– Descobriu alguma coisa? – Perguntou Hyunjin imediatamente.

 

 

Assenti, tentando organizar meus pensamentos.

 

 

– Fui até a floresta, à cabana da bruxa. Ela disse que Felix e Ji-Yeon estarão juntos e que devemos "enxergar com o coração, não com os olhos". A única pista concreta que ela deu foi para verificarmos as matilhas.

 

 

Chan franziu o cenho, processando as informações.

 

 

– As matilhas... – Murmurou ele. – Faz sentido. Ji-Yeon pode ter tentado buscar ajuda com algum grupo. Talvez Felix tenha seguido essa pista também.

 


– Mas quais matilhas? – Perguntou Changbin, cruzando os braços. – Não temos ideia de por onde começar.

 


– Vamos rastrear as que estão próximas primeiro – sugeriu Minho. – Se Felix seguiu essa pista, ele não teria ido longe.

 

 

Todos assentiram, a tensão no ambiente sendo substituída por uma nova determinação. Mesmo com o desconforto das palavras da bruxa pesando em minha mente, eu sabia que tínhamos um caminho a seguir. Agora, precisávamos agir rápido.

 


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