Pov de Yuna
Me encolhi no canto da sala, sentindo a pulsação do meu coração acelerar a cada passo que eu ouvia ecoando no corredor. Não queria que Yeosang me encontrasse ali, não depois de tudo o que aconteceu. Não depois do que eu descobriu. Não depois do peso que agora carrego em meu ventre.
Olhei para a janela, para a luz suave do fim da tarde que entrava pela fresta das cortinas. A casa de San e Wooyoung estava silenciosa demais. O clima parecia tenso, como se a própria casa soubesse que alguma coisa estava prestes a mudar. Me levantei lentamente, decidida a escapar para o jardim, onde as flores podiam disfarçar minhas incertezas e medos. Mas, antes que pudesse dar um passo, a porta da sala se abriu, e Seonghwa apareceu, com seu olhar usualmente calmo, mas agora carregado de algo mais pesado.
— Yuna, precisamos conversar. — Ele disse com a voz suave, mas firme.
Eu não queria falar, não queria que ninguém soubesse o que estava se passando dentro de mim. Não queria que ninguém me visse frágil, insegura. Não agora que tudo parecia estar desmoronando ao meu redor. Mas, de alguma forma, não consegui desviar dos olhos de Seonghwa. Ele sempre teve esse jeito de olhar como se soubesse exatamente o que eu estava sentindo, sem precisar dizer uma palavra. E, com um suspiro, me sentei, desmoronando contra o sofá, incapaz de sustentar minha postura ereta por mais tempo.
— Eu sei que você está fugindo de uma conversa com Yeosang. — Seonghwa disse, sentando-se ao meu lado. — Mas não podemos mais ignorar isso. Ele está… Ele está triste, Yuna. Está sofrendo por não conseguir falar com você.
Respirei fundo, o peso daquelas palavras esmagando-me. Como eu podia encarar Yeosang agora? Como poderia continuar a manter distância dele quando sabia que ele também estava lidando com os mesmos sentimentos confusos, as mesmas angústias que eu?
— Eu não posso… Eu não posso ser a razão da dor dele. — Sussurrei, as lágrimas começando a formar uma camada pesada sob meus olhos. — Eu descobri que estou grávida, Seonghwa. Não posso fazer isso com ele. Não posso prendê-lo.
Seonghwa me olhou com compreensão, mas sua expressão não mudou. Ele sabia o que eu estava tentando dizer, o que eu estava tentando evitar.
— Yuna, você não está prendendo ninguém. Yeosang… Ele é um alfa jovem. Ele tem o direito de seguir o caminho dele, procurar a sua predestinada. Você sabe disso tão bem quanto eu. Mas o que está acontecendo entre vocês não é algo que ele queira deixar para trás facilmente.
Balancei a cabeça, me afastando dele, levantando-me rapidamente.
— Não, Seonghwa. Ele é jovem, tem o mundo inteiro à sua frente. Ele não pode perder tempo comigo e com… com o bebê. Não agora. Ele merece alguém que possa caminhar ao lado dele sem amarras, sem o peso de uma responsabilidade que não é dele.
Seonghwa me observou em silêncio, e eu podia sentir os olhos dele pesando sobre mim. Não era julgamento, não era reprovação. Era apenas uma constatação de que, por mais que eu quisesse lutar contra, estava agindo com base em um medo profundo, um medo que me consumia desde o momento em que eu soubera da gravidez.
— Você está tomando uma decisão com base no medo, Yuna. — Ele disse finalmente, as palavras saindo baixas, mas cheias de uma sabedoria silenciosa. — E o medo nunca nos leva a um lugar bom. Você acha que está fazendo o melhor para Yeosang, mas na verdade está se afastando dele porque teme o que ele possa pensar, o que ele possa querer. E o pior de tudo é que está negando a si mesma o direito de ser amada, de ser cuidada.
Senti um nó apertado em minha garganta. As palavras de Seonghwa me atingiram com uma força inesperada. Eu queria ser forte. Queria tomar a decisão certa. Mas, naquele momento, tudo parecia tão incerto, tão frágil. Eu não sabia mais se estava tentando proteger Yeosang ou se estava me protegendo de algo que eu temia mais do que tudo: ser dependente dele, ser vulnerável a ele.
— Eu… eu não sei o que fazer. — Confessei, finalmente deixando as lágrimas caírem livremente. — Não sei o que é certo. Não sei como eu posso pedir para ele ficar, quando sei que ele precisa de algo mais do que eu posso oferecer.
Seonghwa levantou-se e, com uma gentileza, colocou uma mão em meu ombro.
— Yuna, você não está sozinha nisso, querida. Não importa o que você decida, vai haver pessoas aqui para apoiar você. Yeosang também vai entender, independentemente do caminho que você escolher. Mas, se me permite um conselho… talvez seja hora de você conversar com ele, antes que o medo tome conta de tudo. Não deixe que o que vocês poderiam ser se perca por algo que ainda não aconteceu.
Fiquei em silêncio por um longo momento, absorvendo as palavras de Seonghwa. Eu sabia que ele estava certo. Mas, ao mesmo tempo, o medo da rejeição, o medo de que Yeosang não me entendesse, me paralisava. Eu estava prestes a dar o maior passo de minha vida, e não sabia se estava pronta para isso.
— Eu vou tentar. — Eu disse finalmente, a voz trêmula, mas decidida. — Mas não posso prometer que será fácil.
Seonghwa sorriu, um sorriso suave, cheio de compreensão.
— Eu sei, Yuna. Mas às vezes, a coisa mais difícil de se fazer é a mais importante.
E, com isso, ele saiu da sala, me deixando sozinha com meus pensamentos, com o peso das escolhas à minha frente, e a dúvida apertando meu coração. Eu sabia que tinha uma conversa difícil à minha espera. Mas talvez, só talvez, fosse o primeiro passo para algo que eu ainda não entendia completamente.
Talvez, ao encarar Yeosang, eu finalmente entenderia o que significava ser verdadeiramente corajosa.

0 Comments:
Postar um comentário