Seis meses haviam se passado desde que Yuna desaparecera. A ausência dela era um vazio que parecia crescer a cada dia, principalmente para aqueles que a consideravam uma irmã, amiga e companheira indispensável. Na floresta, ela encontrava refúgio, mas a solidão era sua única companhia. Evitava qualquer vestígio de civilização, pois o medo de enfrentar olhares de dó ou rejeição pesava mais que qualquer outra coisa.
Naquela tarde, enquanto descansava sob a sombra de uma árvore, um desejo súbito tomou conta de Yuna: manga. Sentiu a boca salivar ao imaginar o sabor doce e suculento da fruta. Empurrada pela vontade, levantou-se e caminhou pela floresta em busca de uma mangueira. Contudo, o calor, a fome acumulada e o cansaço cobraram seu preço. Yuna sentiu uma tontura repentina, e antes que pudesse se apoiar em algo, tudo ficou escuro.
Mingi e Hongjoong estavam em uma caçada próxima quando avistaram algo incomum entre as folhas. Aproximando-se com cautela, encontraram Yuna caída no chão. O rosto dela estava pálido, e seus lábios secos denunciavam sua fragilidade.
— É Yuna! — Mingi exclamou, ajoelhando-se ao lado dela.
Hongjoong imediatamente checou sua pulsação e suspirou aliviado ao sentir os batimentos.
— Ela está viva, mas precisamos levá-la para San imediatamente.
Com cuidado, Mingi a ergueu em seus braços, e os dois correram pela floresta até a casa de San.
Pov de Wooyoung
Eu estava na sala, mexendo distraidamente em um prato de comida que não tinha intenção de comer. Desde que Yuna desaparecera, eu mal conseguia cuidar de mim mesmo. Quando ouviu passos apressados e a porta se abriu, levantei os olhos e congelei.
— Yuna... — Murmurei, correndo até ela.
Mingi a colocou delicadamente no sofá, e eu caiu de joelhos ao lado dela, segurando sua mão.
— Você voltou... — Minha voz tremia. — Por favor, fique bem.
San, que havia entrado na sala ao ouvir a comoção, rapidamente chamou o médico da vila. Quando o doutor chegou e examinou Yuna, a tensão na sala era palpável. Depois de alguns minutos, o médico ergueu os olhos com uma expressão grave, mas tranquila.
— Ela precisa de muito repouso. Está fraca, mas não é apenas por isso. — Ele fez uma pausa, e os olhos de todos na sala se arregalaram quando ele continuou: — Yuna está grávida de gêmeos. Há dois corações batendo fortes aqui.
Coloquei a mão na boca, incrédulo, enquanto San cruzava os braços, processando a notícia.
— O pré-natal dela está muito atrasado. — Continuou o médico. — Assim que ela se recuperar, será essencial levá-la à clínica para começarmos os cuidados. Mas, por agora, descanso e garantam que ela se alimente bem.
Quando a situação se acalmou, Yuna estava deitada em um quarto tranquilo, respirando profundamente. Sua barriga agora era evidente, e eu, que havia me sentado ao lado dela, não conseguia esconder minha admiração.
— Olha o tamanho disso... — Murmurei, sorrindo pela primeira vez em meses.
San entrou com um cobertor e colocou a mão no meu ombro.
— Ela vai precisar de um ninho confortável. Vou preparar algo para ela descansar melhor.
Wooyoung assentiu, enxugando uma lágrima que escorria pelo rosto. Enquanto Yuna dormia, eu senti que, pela primeira vez em muito tempo, havia esperança novamente. A presença dela trazia um novo propósito para todos na casa, e eu estava determinado a garantir que ela e os bebês tivessem tudo o que precisavam.
Eu e San passamos a noite montando um ninho acolhedor, decorado com tecidos macios e flores frescas da floresta. Quando terminamos, olhamos para a obra com satisfação. Logo San foi até o quarto e a pegou no colo delicadamente e a levou até o ninho, colocando-a com delicadeza.
— Bem-vinda de volta, Yuna. — San murmurou, antes de sair do quarto para deixar que ela descansasse em paz.
Confesso que estava ansioso por ela estar de volta, então sem pensar duas vezes, retirei meus sapatos e me deitei ao lado nela no ninho, a abraçando por trás e a deixando o mais confortável possível. Coloquei meu nariz em seu pescoço e aspirei o seu cheiro, como senti falta do seu delicioso cheiro de morango.
Pov de Yuna
O aroma suave das flores misturado ao calor reconfortante me envolvia, e abri os olhos devagar. O teto acima era diferente, acolhedor, mas desconhecido. Ao tentar me mover, percebi algo que me impedia: braços fortes me envolviam com firmeza, como se me segurasse, protegendo-me ou... impedindo-me de fugir.
Confusa, me virei lentamente. O que vi fez meu coração acelerar: Wooyoung, com o rosto sereno e os cabelos bagunçados, ainda dormia profundamente, seus braços ao redor de mim como uma âncora. Ele parecia tão tranquilo que, por um momento, eu não quis me mexer. O peso do abraço dele era ao mesmo tempo confortável e sufocante, uma lembrança de tudo o que havia deixado para trás.
Meus olhos percorreram o ambiente. O chão ao redor estava coberto de tecidos macios, peles de animais e flores cuidadosamente espalhadas, formando um ninho. Um ninho feito para mim. Algo no fundo de minha mente me dizia que aquilo só poderia ser obra de Wooyoung e do San. Senti o peito apertar; eles sempre tiveram o dom de cuidar dos outros de um jeito único.
"Como eu vim parar aqui?", pensei, confusa, tentando me lembrar do que acontecera.
Foi então que senti algo quente e suave em minha pele. Beijos delicados eram deixados em meu pescoço, seguidos por uma risada baixa e familiar.
— Finalmente acordada, dorminhoca? — A voz rouca e cheia de alegria de Wooyoung ressoou contra minha pele, fazendo-me estremecer.
Virei o rosto para encará-lo, ainda atordoada. Wooyoung sorriu, e seus olhos brilhavam com uma mistura de alívio e felicidade.
— Você deve estar se perguntando como veio parar aqui, né? — Ele perguntou, afastando alguns fios de cabelo do meu rosto.
Assenti, incapaz de encontrar palavras.
— Foi o Mingi e o Hongjoong. Eles estavam caçando na floresta e te encontraram desmaiada. Estava tão pálida... Eles te trouxeram correndo pra cá. — A voz dele ficou um pouco mais séria, mas o sorriso permanecia. — Eu achei que meu coração fosse parar quando te vi daquele jeito.
Pisquei algumas vezes, absorvendo as palavras dele. A lembrança vaga de minha caminhada pela floresta em busca de mangas surgiu em sua mente, seguida pelo desmaio. Senti um arrepio ao perceber o quão vulnerável estivera.
— Depois que o médico te examinou e disse que você precisava descansar, San e eu fizemos este ninho pra você. — Ele fez um gesto com a mão, apontando ao redor. — Achei que você ia gostar de algo confortável. E, bom, eu queria matar a saudade... Acabei dormindo aqui com você. — Ele deu de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
O encarei, ainda tentando processar tudo. Havia tanta ternura no olhar de Wooyoung que eu quase me sentiu culpada por ter fugido. Ele estava ali, cuidando dela, como sempre fazia.
— Por que... por que você está fazendo isso? — Perguntei, minha voz saindo mais fraca do que pretendia.
Wooyoung inclinou a cabeça, surpreso com a pergunta.
— Porque você é minha amiga, minha família. E, acima de tudo, porque eu sinto sua falta, Yuna. — Ele suspirou, apertando os braços ao redor de mim como se temesse que eu desaparecesse novamente. — Não importa o que aconteceu, eu sempre vou estar aqui pra você. Sempre.
As palavras dele atingiram algo profundo dentro de mim. Pela primeira vez em meses, senti as barreiras que havia construído começarem a ruir. Fechei os olhos e, mesmo sem perceber, permiti que uma lágrima solitária escapasse. Talvez, apenas talvez, eu não precisasse enfrentar tudo sozinha.

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