Pov de Yuna
Me arrastei lentamente pelos corredores da casa, meu corpo pesado e o coração ainda mais, enquanto o peso da decisão me consumia. Cada passo parecia mais difícil que o anterior, mas uma força silenciosa me guiava até onde ele estava — Yeosang. A ideia de enfrentar a situação me fez hesitar, mas sabia que não podia continuar fugindo. O que quer que fosse, precisava ser dito. E, se fosse o caso, precisaria aprender a lidar com isso.
O jardim estava tranquilo. O céu começava a tingir-se de um dourado suave, sinalizando que o dia estava prestes a se despedir. Olhei ao redor, meus olhos procurando pelo alfa, e o encontrei. Yeosang estava sentado em uma cadeira de madeira, sua postura relaxada, mas a expressão em seu rosto… Ele olhava fixamente para uma rosa branca delicada que repousava sobre a mesa à sua frente, o olhar perdido em algo distante. Ele parecia tão imerso em seus pensamentos que não percebeu minha chegada.
Hesitei, sentindo o nervosismo invadir meu corpo. Era a primeira vez que a distância entre nós parecia tão grande, tão intransponível. Mas, ao dar mais um passo em sua direção, Yeosang levantou os olhos, e seus olhos escuros brilharam com uma luz que eu não esperava — alegria.
— Yuna… — Ele disse, a voz suave, quase como se estivesse se certificando de que era real. — Você veio.
Ele se levantou da cadeira com agilidade, caminhando até mim com um sorriso no rosto, que iluminava o ambiente ao redor. Meu coração deu um salto no peito, e senti uma onda de emoções conflitantes se alastrar por mim. Ele parecia feliz em me ver, mesmo com o peso do que eu acabara de descobrir sobre mim mesma, sobre a gravidez. Mesmo assim, ele parecia genuinamente feliz.
Com um movimento cuidadoso, Yeosang se aproximou e, com uma mão firme, me ajudou a me sentar em uma das cadeiras próximas. Ele parecia preocupado com meu conforto, e isso me tocou profundamente.
— Como você está? — Yeosang perguntou, seu tom suave e sincero. — E o bebê, como está? Já fez algum exame?
Me sentei com uma leveza forçada, tentando esconder o quanto me sentia frágil diante dele. Eu sabia que tinha muito a dizer, muito a explicar, mas as palavras pareciam presas em minha garganta, tão difíceis de pronunciar.
— Eu… Eu não sei. — Respondi com a voz baixa. — Minha primeira consulta será amanhã. Não tenho como saber ainda, Yeo.
Ele assentiu lentamente, uma expressão de compreensão no rosto. Então, como se fosse natural, ele permaneceu ali, ao seu lado, aguardando. Senti os olhos dele sobre mim, o que me fez se sentir vulnerável, mas ao mesmo tempo, a calma dele parecia dissipar um pouco da angústia que me consumia.
Respirei fundo, tentando reunir coragem para falar o que estava em meu coração.
— Yeosang… Eu preciso ser honesta com você. Sobre o que está acontecendo entre nós. Eu não quero te prender em algo que você não deseja. Eu… Eu estou grávida de outro, e eu sei que isso muda tudo. Eu não quero que você se sinta obrigado a ficar comigo por causa disso. Eu não quero que você perca o que você pode ter, sabe? Você é jovem, tem o direito de procurar sua predestinada, sua alma gêmea. Não posso te pedir para ficar comigo.
Ele permaneceu em silêncio, ouvindo-me com atenção, mas a expressão em seu rosto não mudava. Senti meu estômago apertar, temendo que ele fosse embora por causa do medo, do peso da situação. Mas Yeosang não me interrompeu. Ele apenas me observava, com uma serenidade que quase me fez duvidar de meus próprios sentimentos.
Quando terminei, ele se aproximou mais, seus olhos fixos em mim de maneira intensa, mas gentil. Ele segurou minha mão e a colocou delicadamente em seu rosto.
— Eu… Eu não posso te pedir para ficar, Yuna. — Ele disse com uma voz baixa e calma. — Porque não sou eu quem escolhe isso. Eu sou um alfa dócil. O meu amor é único e puro. E, como um alfa lúpus, eu só posso amar verdadeiramente uma vez. E essa vez… essa vez foi você.
O silêncio que se seguiu foi profundo, pesado. Senti a pressão de suas palavras ao redor de seu coração. Meu estômago revirou quando percebi o que isso significava. Eu estava sentindo o calor de sua pele, o jeito que ele estava segurando minha mão, com cuidado, como se estivesse entregando a mim algo precioso. Algo que eu não sabia se estava pronta para aceitar, mas que, naquele momento, eu não conseguia mais negar.
— Você… — Engoli em seco, a voz falhando. — Você está dizendo que quer ficar comigo, mesmo depois de tudo isso? Mesmo sabendo que eu… eu não sou sua alma gêmea?
Yeosang fechou os olhos por um instante, sentindo a febre começar a tomar seu corpo. Ele estava fraco. A minha ausência estava o afetando profundamente. Mas ele não se importava. Eu era o que ele queria. Eu sempre fui.
— Eu quero cuidar de você, Yuna. — Ele disse, com uma firmeza que me tocou profundamente. — Quero cuidar de você e da criança, e eu nunca me arrependerei dessa escolha. Só depende de você para que possamos ser felizes. Só você pode decidir.
Ele olhou para mim, os olhos brilhando em vermelho, com uma verdade que eu não conseguia mais ignorar. Percebi, então, que ele não estava falando por impulso. Ele estava falando com o coração. E, embora eu tivesse medo do futuro, um pequeno fio de esperança começou a se formar dentro de mim.
As palavras de Yeosang estavam tocando algo dentro de mim. Ele estava se entregando a mim de forma incondicional, com uma sinceridade que me fez entender, com clareza, que o que ele estava oferecendo era mais do que amor — era uma promessa. Uma promessa de estar comigo, de cuidar de mim e do bebê, não importa as dificuldades que viriam pela frente.
Com um sorriso suave e um brilho nos olhos, Yeosang então pegou a rosa branca que estava sobre a mesa. Ele a segurou delicadamente, a expressão dele se tornando mais séria e, ao mesmo tempo, mais cheia de significado.
— Yuna… você quer se casar comigo? — Ele se ajoelhou diante de mim, a rosa branca entre os dedos. — Eu quero ser seu companheiro. Eu quero ser o pai do nosso filho. E quero passar o resto da minha vida ao seu lado.
O ar ficou pesado com a intensidade de seu pedido. Olhei para ele, para a rosa, para os olhos de Yeosang, e naquele momento, eu soube que não havia mais dúvidas. O amor dele era verdadeiro. O que eu sentia por ele também era real.
Com os olhos marejados, respondi, com a voz embargada mas firme.
— Sim. Eu aceito.
Yeosang sorriu, um sorriso radiante que iluminou todo o seu ser. Ele se levantou e me puxou para um abraço apertado, envolvendo-me com carinho. A rosa branca agora era o símbolo de algo novo, algo que estava apenas começando a florescer, e eu sabia que, ao aceitar aquele amor, estava permitindo que a beleza do futuro se desabrochasse em meu coração.
E assim, com as palavras que selaram a decisão de um novo começo, eu e Yeosang encontramos o nosso caminho, um caminho onde o medo foi substituído pela esperança, e o amor, mesmo em sua forma mais simples, floresceu como a rosa branca que Yeosang me ofereceu.

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