Pov de Chan
A casa estava silenciosa, exceto pelo som baixo da chuva que caía lá fora. Eu estava sentado no sofá da sala, uma xícara de chá quente em minhas mãos, enquanto Hyunjin se acomodava no sofá a minha frente. O ambiente parecia calmo, mas dentro de mim, algo estava se agitando, uma mistura de alívio e tristeza. A verdade que Seungmin havia compartilhado comigo ainda reverberava em minha mente.
— Você tem certeza de que perdoou ele? — Hyunjin perguntou, quebrando o silêncio. Sua voz estava carregada de uma preocupação sutil, mas eu sabia que ele estava apenas tentando entender o que estava acontecendo em minha cabeça.
— Sim. Ele me contou tudo. — Respondi, a voz mais pesada do que eu esperava. — Sobre Min-Jae, sobre os planos dela para me separar de Ji-Yeon. Ela me usou, Hyunjin... me enganou. Mas, ao menos, Seungmin foi honesto comigo no fim. Ele me pediu perdão, e eu… eu aceitei. Ele fez o que pôde.
Hyunjin permaneceu em silêncio por alguns segundos, deixando que minhas palavras pairassem no ar. Ele sabia que eu estava lidando com mais do que apenas a dor da traição, mas também o peso de descobrir que alguém em quem confiava havia sido manipulado.
— Você tem certeza de que está bem com isso? — Hyunjin insistiu, mais preocupado com o meu estado mental do que com a situação em si.
— Eu não sei, Hyunjin. Eu… Eu sinto que perdi algo, mas não sei o quê. Algo está errado, e não é só a verdade sobre Seungmin e Min-Jae. Eu não consigo colocar o dedo nisso, mas sinto um vazio, uma sensação de que estou… sendo puxado pra longe de algo importante. Algo que eu preciso.
A tensão no ambiente parecia crescer à medida que eu falava. Hyunjin não podia deixar de notar como eu estava começando a murchar, como se uma sombra estivesse cobrindo minha energia.
De repente, parei. Meus olhos se arregalaram levemente, e minha respiração ficou irregular. O aperto no peito me fez parar de falar, e eu me levantei abruptamente, como se algo tivesse me atingido de forma inesperada.
— Chan? — Hyunjin chamou, levantando-se de imediato, a preocupação tomando conta de seu tom.
Coloquei a mão no peito, a expressão em meu rosto se tornando mais tensa.
— Hyunjin… eu… estou… não consigo… — Cambaleei para frente, tentando me equilibrar, mas a dor que sentia no peito me derrubou. A sensação esmagadora se intensificava, e eu mal conseguia respirar.
— Chan, o que está acontecendo?! — Hyunjin gritou, vindo até mim.
Antes que pudesse fazer algo, caí no chão, sem forças, desmaiando ali mesmo.
Pov de Hyunjin
Meu coração disparou. Me ajoelhei rapidamente ao lado de Chan, tentando checar o pulso dele, mas não havia tempo para hesitar. Algo estava errado de uma forma que eu não entendia.
Sem perder tempo, peguei o celular e liguei para uma ambulância. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo, mas sabia que não podia perder tempo. O pânico me invadiu enquanto eu esperava, segurando a mão de Chan com força, tentando fazer qualquer coisa que pudesse ajudá-lo.
Quando a ambulância finalmente chegou, ajudei os paramédicos a levar Chan para o hospital. Seu pai estava trabalhando e sua mãe havia saído pra resolver algumas coisas. O caminho foi silencioso, exceto pelas palavras apressadas dos médicos tentando estabilizar Chan, que ainda estava inconsciente. Com o coração apertado, sabia que a situação estava além do que eu podia controlar.
No hospital, os exames mostraram algo inesperado.
— O que está acontecendo com ele? — Perguntei, angustiado, ao médico responsável.
— Seu amigo está sofrendo os efeitos de estar longe de sua companheira. Ele não está fisicamente doente, mas é como se seu corpo estivesse em sofrimento, tentando lidar com a ausência dela. A conexão entre eles é profunda, e sem ela por perto, ele está começando a definhar. — O médico fez uma pausa, olhando para mim com seriedade. — Ele precisa encontrá-la logo. Caso contrário, essa condição pode piorar, e as consequências podem ser fatais.
As palavras do médico me atingiram como um soco no estômago. Eu sabia que a situação de Chan era grave, mas não imaginava que pudesse chegar a esse ponto. Ele precisava de um plano, e rápido. A preocupação que eu sentia por Chan se transformou em uma determinação de não deixar que o meu melhoramigo perdesse a chance de viver.
No dia seguinte, procurei Felix, com o coração ainda pesado pela notícia do hospital. Felix estava em casa, descansando, quando entrei na sala, visivelmente preocupado.
— Felix, você não vai acreditar no que aconteceu com Chan. — Eu disse, a voz baixa, como se ainda não tivesse assimilado completamente a gravidade da situação.
Felix olhou para mim, seus olhos imediatamente preocupados.
— O que houve com ele?
— Ele está no hospital. Os médicos disseram que ele está morrendo, Felix. A dor que ele sente é física. E a única maneira de ele se recuperar é encontrar Ji-Yeon. Ela é a única que pode salvar ele. — Suspirei pesadamente. — Nós precisamos fazer algo. Não podemos deixar ele definhar assim.
Felix ficou em silêncio por um momento, absorvendo minhas palavras. Seu rosto se tornou sério e determinado.
—Eu vou ajudá-los a encontrá-la. — Felix disse coma voz firme.
— Felix, não. Você não pode. Você está grávido, e eu não posso permitir que você se arrisque. Já temos muito o que fazer, e você tem que ficar bem. —Tentei protestar.
Mas Felix balançou a cabeça, um brilho de decisão nos olhos.
— Eu sei que você está preocupado, mas não vou deixar aquele sarnento passar por isso sozinho. Eu vou atrás de Ji-Yeon, mesmo que você não queira.
Felix se levantou, indo em direção ao seu quarto. Eu ainda sem palavras, fiquei ali, assistindo meu ômega se preparar para sair. Eu sabia que Felix não me ouviria, mas também sabia que se ele fosse, era porque ele entendia o peso da situação de Chan.
Com um suspiro, olhei para o celular, já começando a planejar a próxima etapa. Tinhamos que encontrar Ji-Yeon, e faria o que fosse preciso para trazer Chan de volta. Mas, enquanto Felix se preparava, uma sensação de medo apertou meu coração — eu sabia que o tempo estava contra nós.

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