Pov de Felix

 

 

Eu estava sentado em um confortável sofá na casa principal da matilha de Namjoon, cercado por Jin, Jimin, Taehyung e J-Hope. Os ômegas não paravam de me mimar, oferecendo bolos, chás e almofadas para que eu ficasse mais confortável. J-Hope, o beta da matilha, insistia em trazer cobertores e se certificava de que eu estivesse aquecido.

 

 

– Você está tão pálido, Felix – Disse Jin, empurrando um prato de frutas em minha direção. – Coma. E beba esse chá também. Não queremos que o filhote passe fome.

 

 

Sorri, sem conseguir evitar a sensação de calor humano que aqueles quatro transmitiam. Era bom ser cuidado, mesmo que só por um momento.

 

 

– Obrigado. – Respondi pegando uma fatia de bolo e um gole do chá. – Vocês são muito gentis.

 

– É o mínimo que podemos fazer. – respondeu Taehyung, com um sorriso caloroso. – Deve ter sido difícil para você sair sozinho. Não queremos que se sinta desamparado aqui.

 

 

Enquanto eles conversavam, Jimin inclinou-se para frente, a curiosidade brilhando em seus olhos.

 

 

– Felix, você mencionou Ji-Yeon antes. Ela é sua melhor amiga, certo? Como ela é? – Perguntou J-Hope.

 

 

Meu rosto se iluminou instantaneamente. Coloquei a xícara de lado e respirei fundo antes de responder.

 

 

– Ji-Yeon é incrível. Uma ômega gentil, carinhosa, que sempre se preocupa com as pessoas ao seu redor. Ela tem um coração enorme e é muito forte, mesmo que às vezes não perceba isso. – Fiz uma pausa, sorrindo ao me lembrar dela. – Tenho certeza de que ela será uma ômega líder maravilhosa um dia.

 

 

Os outros trocaram olhares admirados, mas havia uma sombra de preocupação nos rostos deles. J-Hope foi quem perguntou:

 

 

– Mas por que ela desapareceu? Algo aconteceu com ela?

 

 

Meu sorriso desapareceu, substituído por uma expressão séria. Respirei fundo antes de contar o que havia acontecido.

 

 

– Na festa de apresentação dela... o companheiro predestinado a rejeitou. Na frente de todos. – Minha voz tremeu com a indignação. – Ele a marcou, mas ainda assim a renegou. Foi cruel e humilhante.

 

 

Os olhos de Jimin e Taehyung arregalaram-se, enquanto Jin levou a mão à boca em choque.

 

 

– Como alguém pode fazer isso? – Perguntou Jin, incrédulo. – Isso é... monstruoso.

 


– Foi terrível – Respondi ficando com raiva só de lembrar. – Mas ela não está morta. Foi selada para que pudesse sobreviver, mesmo depois do vínculo ser rompido.

 


– Selada? – Repetiu Jimin, surpreso. – Isso é perigoso. Ela deve estar sofrendo muito.

 

 

Assenti apertando as mãos no colo.

 

 

– É por isso que estou aqui. Preciso encontrá-la. Ela merece uma vida melhor do que a que teve até agora.

 

 

 

 

Naquela noite, durante o jantar, eu estava sentado à mesa com Namjoon, que me observava atentamente enquanto todos conversavam e comiam. O alfa líder tinha uma presença imponente, mas seus olhos transmitiam calma e compreensão. Quando a refeição terminou, ele inclinou-se ligeiramente em minha direção.

 

 

– Felix. – Começou Namjoon, com a voz baixa e firme. – Você falou muito sobre Ji-Yeon, mas me diga uma coisa: o que pensa sobre um alfa que renega sua ômega predestinada?

 

 

Apertei os punhos, minha expressão endurecendo.

 

 

– Eu abomino isso. É covarde e cruel. Um alfa que faz isso não merece o vínculo. Ji-Yeon foi ferida de uma maneira que poucos podem entender. Eu jamais perdoaria algo assim, mas ele foi vítima da Min-Jae, a irmã gêmea má. – Eu disse irritado. – Mas nem adianta qual é a verdade... Ela desapareceu no final das contas.

 

 

Namjoon assentiu lentamente.

 


– Concordo. Aqui, em nossa matilha, os ômegas são venerados. São o coração e a alma de nossa comunidade. Ferir um ômega é o mesmo que destruir a própria matilha.

 

 

Me senti reconfortado pelas palavras de Namjoon, mas a angústia de minha busca ainda pesava em meu coração.

 


Na manhã seguinte, me preparava para sair. Jin, Jimin, Taehyung e J-Hope insistiam em me encher de provisões, enquanto Namjoon me acompanhava até a porta. O alfa estava com uma expressão preocupada.

 

 

– Felix, você deveria voltar para sua matilha. – Disse Namjoon. – Pense no seu filhote. Ele precisa de você saudável e seguro.

 

 

Parei, segurando a mochila nas mãos.

 

 

– Eu sei. Mas Ji-Yeon também precisa de mim. Ela é minha melhor amiga, Namjoon. Não posso deixá-la sozinha.

 

 

Namjoon suspirou, mas colocou a mão em meu ombro.

 

 

– Você tem um coração leal, Felix. Isso é admirável. Mas seja cauteloso. As matilhas podem ser lugares traiçoeiros, mesmo para ômegas. Cuide-se.

 

 

Assenti, emocionado.

 

 

– Obrigado por tudo. Eu nunca vou esquecer o que vocês fizeram por mim.

 

 

Com isso, eu parti, voltando para a floresta, determinado a encontrar Ji-Yeon e trazê-la de volta. Mesmo com os conselhos de Namjoon ecoando em minha cabeça, minha determinação era inabalável. Eu não descansaria até ver minha melhor amiga segura novamente.

 

 

Eu caminhava pela floresta, meus olhos atentos ao mapa em minhas mãos. O caminho era longo e cansativo, mas eu sabia que não podia desistir. A busca por Ji-Yeon era minha prioridade, mesmo que cada passo parecesse mais difícil que o anterior. De tempos em tempos, eu parava para checar o mapa novamente, garantindo que estava seguindo a direção correta.

 


O dia avançava, e o sol escaldante começava a ceder para uma luz mais suave quando ouvi o som de água corrente. Curioso e esperançoso, mudei minha rota, seguindo o som até que os arbustos se abriram para revelar um lago cristalino cercado por árvores altas e flores silvestres. Era um lugar que parecia saído de um sonho.

 


Cansado, decidi que aquele era o momento ideal para descansar. Sentei-me à beira do lago, molhando as mãos na água fresca antes de levar um pouco ao rosto. A tranquilidade do lugar me envolveu, e por alguns minutos deixei que minha mente descansasse da tensão constante.

 


Depois de recuperar as forças, retomei a caminhada. Eu sabia que precisava encontrar um local seguro antes do anoitecer. Quando o sol começou a desaparecer no horizonte, tingindo o céu de laranja e roxo, avistei uma grande toca abandonada entre as árvores. Com cautela, inspecionei o local, procurando sinais de perigo. Não havia cheiros recentes nem indícios de outros animais, então decidi que seria seguro passar a noite ali.

 


Enrolado em meu casaco, dormi profundamente, cercado pelo silêncio da floresta.

 

 

Três Dias Depois

 

 

A rotina se repetia: acordar, comer frutas que eu havia ganhado do Jin, checar o mapa e caminhar pela floresta. Me movia com determinação, mas o cansaço começava a pesar. No terceiro dia, a floresta começou a mudar. As árvores eram mais densas, seus galhos se entrelaçando acima, bloqueando quase toda a luz do sol. O chão estava coberto de folhas úmidas, e o ar tinha um cheiro pesado e mofado. A cada passo, a sensação de algo errado crescia.

 


Apertei o passo, tentando sair daquela parte sombria o mais rápido possível. No entanto, parecia que quanto mais eu caminhava, mais o ambiente ficava opressivo. As sombras pareciam ganhar vida, e o som de galhos se quebrando ecoava ao longe. Parei, o coração acelerado, olhando ao redor. Não havia nada visível, mas a sensação de estar sendo observado era inegável.

 


O medo começou a tomar conta. Sem pensar muito, comecei a correr. Meus pés esmagavam as folhas no chão, o som ecoando na floresta silenciosa. Eu não sabia para onde estava indo, apenas queria sair dali. Mas o medo fez com que eu perdesse a atenção ao terreno. Meu pé prendeu-se em uma raiz, e cai com força no chão, o impacto deixando-o tonto.

 


Enquanto tentava me levantar, um som grave e ameaçador me congelou. Eu olhei para cima e vi vultos se movendo entre as árvores. Em segundos, lobos enormes apareceram ao meu redor, seus olhos brilhando com uma luz amarela intensa. Tentei me mover, mas o medo e a exaustão me prenderam no lugar.

 


O último pensamento que cruzou minha cabeça antes de tudo escurecer foi que aqueles olhos não pareciam apenas predadores; eles pareciam julgar.

 


E então, o silêncio absoluto tomou conta.

 


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