Pov de Namjoon
Despertei de repente, o corpo suado e a respiração ofegante. O quarto estava escuro, mas o sonho ainda queimava em minha cabeça. Vi Felix correndo, aterrorizado, por uma floresta negra como a noite. O som de galhos quebrando ecoava ao longe, seguido por um par de olhos amarelos brilhantes que pareciam devorar tudo ao redor. Era um sonho vívido, quase palpável, que me deixava inquieto.
Sentando-me na cama, esfreguei o rosto, tentando afastar a sensação de desespero. Mas algo dentro de mim me pressionava, um instinto que eu não podia ignorar. Levantando-me rapidamente, vesti algo confortável e sai de casa, dirigindo-me à floresta.
Quando cheguei no início da floresta, parei. A noite estava fria e silenciosa, mas havia algo diferente no ar. Me abaixei, tocando o chão com as mãos, fechando os olhos e respirando profundamente. Concentrando-me, tentei sentir as energias da terra. No início, tudo parecia calmo, mas então algo obscuro me atingiu como uma onda. Era pesado, sombrio e cheio de desespero. Engasguei com a força da energia, caindo sentado no chão.
Ainda tentando recuperar o fôlego, ouvi passos apressados atrás de mim. Virando-me, vi Jungkook correndo, o rosto pálido de preocupação.
– Namjoon! – Chamou o jovem alfa, ofegante. – Jimin... algo aconteceu! Ele está no quarto, chorando, desesperado. Você precisa ir vê-lo!
Não hesitei. Levantei-me rapidamente e segui Jungkook de volta para a casa principal. Quando entrei no quarto de Jimin, encontrei o ômega encolhido na cama, as mãos cobrindo o rosto enquanto soluços rasgavam sua voz.
– Jimin – Eu disse me aproximando com cuidado. Me sentei ao lado do ômega, colocando uma mão gentil em seu ombro. – O que aconteceu? Por que está assim?
Jimin levantou o rosto vermelho e molhado de lágrimas, suas palavras saindo trêmulas.
– Eu... tive um sonho... horrível! Era o Felix... ele estava correndo... parecia tão assustado! – Ele apertou os punhos, tentando conter as lágrimas. – A floresta ao redor dele era tão escura, tão... sombria. E, antes de acordar, eu vi... olhos. Grandes olhos amarelos que o cercaram.
Congelei, sentindo um arrepio subir pela espinha. Era a mesma visão que eu tive. Cada detalhe, cada sensação... tudo se alinhava. Segurei o rosto de Jimin com cuidado, forçando-o a olhar para mim.
– Jimin. – Comecei com a voz grave mas carregada de preocupação. – Eu tive a mesma visão. Exatamente o mesmo.
Jimin arregalou os olhos, mais lágrimas escorrendo pelo rosto.
– Então isso significa que ele está em perigo... não é?
Assenti lentamente, o peso da confirmação afundando em meu peito. Levantando-me, olhei para Jungkook, que estava parado perto da porta, tão pálido quanto Jimin.
– Não podemos ignorar isso. Felix está em perigo real. Jungkook, reúna alguns dos alfas mais confiáveis. Quero vocês vasculhando a floresta imediatamente. – Me virei para Jimin. – Você precisa descansar. Vamos encontrá-lo, eu prometo.
Jungkook assentiu e saiu apressado para cumprir as ordens, enquanto eu continuava ao lado de Jimin até que o ômega começasse a se acalmar.
Pouco tempo depois, três alfas da matilha já estavam reunidos na entrada da floresta, prontos para começar a busca. Eu estava com eles, dando as instruções finais.
– Vasculhem cada canto. Sigam qualquer rastro, qualquer sinal. Se encontrarem algo, mandem uma mensagem imediatamente. – Fiz uma pausa, olhando para a floresta com preocupação evidente. – Felix é importante, e não podemos perder tempo.
Os alfas assentiram e desapareceram entre as árvores, me deixando sozinho à margem. Fiquei ali por um momento, olhando para a escuridão da floresta como se pudesse encontrar as respostas apenas com seus olhos. Felix, pensei. Por favor, esteja seguro.
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Ao contrário das terras férteis e ensolaradas do Leste, a Alcateia do Oeste era envolta por um clima sombrio e austero. A névoa parecia nunca dissipar-se completamente, rastejando pelos terrenos pedregosos e pelas florestas densas que cercavam o território. Árvores de galhos retorcidos erguiam-se como sentinelas ameaçadoras, e o ar tinha um peso opressivo, como se a própria terra estivesse carregada com a escuridão dos seus habitantes.
No centro desse lugar desolado ficava a fortaleza da alcateia, uma estrutura feita de pedra negra que se erguia como um monólito de poder. Era um lugar frio, sem adornos, projetado para intimidar. Ali, o alfa Woojin governava com um punho de ferro.
Woojin era uma figura imponente, de presença quase sobrenatural. Seus olhos cinzentos eram frios e calculistas, e sua expressão raramente exibia algo além de desdém ou raiva. Alto e musculoso, ele parecia uma força da natureza, uma tempestade contida apenas pela sua própria vontade. Seu cabelo, tão escuro quanto a noite, caía desleixadamente sobre a testa, e a cicatriz que atravessava sua mandíbula era uma marca de sua ferocidade em batalha.
A liderança de Woojin era baseada no medo e na hierarquia rígida que ele mesmo havia imposto. Para ele, status era tudo. Os betas eram seus soldados e servos leais, enquanto os ômegas viviam sob seu controle absoluto, regados a tarefas domésticas e à perpetuação da linhagem da alcateia.
Na grande sala de reuniões da fortaleza, Woojin sentava-se em um trono de madeira escura entalhada com símbolos antigos, um lembrete constante de seu poder. Ele estava cercado por seus conselheiros, todos betas escolhidos a dedo por sua lealdade cega e habilidade em cumprir ordens sem questionamentos.
— O Leste cresce em força e prestígio. — Disse um dos betas, hesitante em mencionar a alcateia rival. — Há rumores de que suas terras são abundantes este ano.
Woojin riu, uma risada fria e desdenhosa.
— Que cresçam, então. O Leste pode ter suas terras férteis e seu líder "benevolente", mas a força verdadeira reside no controle. Enquanto eles cultivam campos, nós cultivamos poder.
Apesar de sua postura arrogante, Woojin nunca ignorava uma ameaça. Ele sabia que a prosperidade do Leste era um risco para sua posição como o alfa mais temido das regiões vizinhas. A ideia de outra alcateia crescendo em influência o enchia de uma raiva contida, mas calculada.
Os ômegas da Alcateia do Oeste viviam uma existência marcada pela submissão. Eles eram invisíveis aos olhos de Woojin, a não ser quando ele precisava deles. Para ele, ômegas não eram mais do que ferramentas para manter a alcateia funcionando. Essa opressão, no entanto, começava a gerar murmúrios entre os mais jovens, que sonhavam em escapar do domínio cruel do alfa.
Naquela noite, Woojin caminhava pela floresta escura, seus sentidos em alerta. A lua cheia iluminava as árvores, mas seu brilho parecia fraco sob o manto de névoa constante. Ele parou de repente, sentindo algo no ar. Um intruso, talvez, ou apenas uma sombra do passado que nunca o deixava em paz.
— Quem ousa pisar no meu território sem minha permissão? — Ele rosnou, sua voz reverberando entre as árvores.
Nenhuma resposta veio, mas o silêncio foi suficiente para alimentar sua fúria. Para Woojin, o poder absoluto era a única forma de garantir a sobrevivência de sua alcateia, mesmo que isso significasse governar com medo e opressão.
Enquanto retornava à fortaleza, um pensamento cruzou sua mente: o Leste e seu líder, Kim Namjoon. Um alfa que governava com o coração? Para Woojin, isso era fraqueza. Mas no fundo, escondido sob camadas de arrogância e crueldade, havia um pequeno fragmento de dúvida. Ele sabia que mesmo os reinos mais sombrios poderiam ruir sob a força de algo que ele desprezava: união e esperança.
E ele faria qualquer coisa para garantir que isso nunca acontecesse.

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